Revelamos aqui as causas e efeitos da insegurança pública e jurídica no Brasil, propondo uma ampla mobilização na defesa da liberdade, democracia, federalismo, moralidade, probidade, civismo, cidadania e supremacia do interesse público, exigindo uma Constituição enxuta; Leis rigorosas; Segurança jurídica e judiciária; Justiça coativa; Reforma política, Zelo do erário; Execução penal digna; Poderes harmônicos e comprometidos; e Sistema de Justiça Criminal eficiente na preservação da Ordem Pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

MÍDIA MALDITA


ZERO HORA 13 de junho de 2014 | N° 17827


DAVID COIMBRA




Quem é contra a Copa acusa a “Mídia” de ser a favor porque a “Mídia” vai lucrar com a Copa. Os petistas, que são a favor da Copa, acusam a “Mídia” de ser contra porque a “Mídia” é golpista e quis criar um clima de terror para prejudicar o governo em ano de eleição. Já eu aqui sofri uma distensão na perna que está me consumindo em dores, maldita “Mídia”.

Alguém tem que pagar por toda essa infelicidade brasileira, que o Brasil se tornou um país infeliz. O governo não há de. O governo do PT conseguiu criar em torno de si uma aura adhemarista, uma espécie de “rouba mas faz” do século 21. Quando alguma nova corrupção é divulgada, os petistas reclamam: “E a corrupção do PSDB? Ninguém vai falar da corrupção do PSDB? Olha lá a corrupção do PSDB!”. E em seguida ajuntam: “Pelo menos milhões mudaram de classe social no Brasil. Milhões!”.

Então, o PT, de quem tantos esperavam tanto, inclusive o degas aqui, então o PT é como os outros. Quer dizer: não há saída. Os brasileiros tentaram de tudo: um presidente populista, um professor universitário de esquerda, um operário sindicalista profissional e uma técnica desconhecida, com eles o país melhorou aqui e ali, mas piorou lá e acolá, e o desconforto só aumentou, o país está a cada dia mais triste, violento e intolerante, todos reclamam, todos protestam. No ano passado, os brasileiros tentaram fazer algo por eles próprios. Saíram às ruas, gritaram “sem partido, sem partido!”. De que adiantou? De nada. As manifestações de junho não serviram para coisa alguma, a não ser para dar combustível aos radicaletes inconsequentes.

A imprensa americana faz matérias perplexas com o Brasil. “Por que o Brasil está assim?”, perguntam. E todos nós perguntamos também: Por quê? O que está errado? Só pode ser coisa do Bonner e aquela sua falsa naturalidade no Jornal Nacional, os muxoxos para a Poeta, as gracinhas desajeitadas. Só pode ser coisa da “Mídia”. Será? O que não está funcionando?

O que não está funcionando é a essência. Existe uma crença à direita e à esquerda, um credo de petistas, tucanos, peemedebistas, ex-arenistas, um credo que diz que o dinheiro é a solução de todas as coisas. De fato, o dinheiro é a solução para algumas coisas, desde que se saiba o que fazer com ele. Não falta dinheiro ao Brasil. O Brasil tem dinheiro para levantar um estádio em Cuiabá, para comprar caças suecos, para investir em porto cubano. O governo brasileiro distribui dinheiro à população, no que faz muito bem. E consome outro tanto em escaninhos escusos, no que faz muito mal. O problema é que o dinheiro não compra o bem-estar.

Como se produz o bem-estar? Para começar, com união, não com desagregação.

Vou tomar um único ponto, um que é consensual: a Educação. O Brasil investe em universidades e cursos técnicos. Está errado. Nos últimos 20 anos, o Brasil deveria ter se concentrado com prioridade máxima, senão com exclusividade, em educação básica e fundamental. Qualificar escolas e professores, melhorar as estruturas e os salários, e cobrar duramente, mas duramente!, por resultados, é o que deveria ter sido feito. Se a educação básica e fundamental fosse de alta qualidade, não seria preciso lançar mão de quotas, por exemplo, que são ações talvez justas, mas certamente desagregadoras. O aluno chegaria a um concurso público ou a um vestibular em pé de igualdade com quem fez escola privada.

Só que investir em Educação não é apenas jogar dinheiro na Educação. É preciso saber o que fazer, enfrentar corporações poderosas, preconceitos históricos, manhas sociais. Escolas públicas fortes, professores de alto nível intelectual e salarial, currículos inteligentes, nada disso é fácil de se fazer e nada disso rende voto rápido. O Brasil é um país cheio de demandas e cada qual acha que a sua é mais urgente.

A causa da tristeza do brasileiro é a desesperança. É a descoberta de que nada do que lhe é oferecido como remédio vai lhe tirar a dor, nem situação, nem oposição, nem a revolta pela revolta. Alguém tinha de dar um jeito nisso. Alguém tinha que fazer sarar essa minha perna. E o Bonner, miserável, fazendo carinha para a Poeta.



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