Revelamos aqui as causas e efeitos da insegurança pública e jurídica no Brasil, propondo uma ampla mobilização na defesa da liberdade, democracia, federalismo, moralidade, probidade, civismo, cidadania e supremacia do interesse público, exigindo uma Constituição enxuta; Leis rigorosas; Segurança jurídica e judiciária; Justiça coativa; Reforma política, Zelo do erário; Execução penal digna; Poderes harmônicos e comprometidos; e Sistema de Justiça Criminal eficiente na preservação da Ordem Pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

MANSÃO DO TRÁFICO É ESTOURADA


Polícia estoura mansões do tráfico no alto do morro. Na fuga, bandidos conseguiram levar seus eletrodomésticos e eletrônicos - POR LESLIE LEITÃO, O DIA 08/02/2011

Rio - Embora os traficantes tenham retirado muito dos artigos de luxo obtidos com o dinheiro do crime, deixaram mostras do conforto com que viviam. No início da tarde de ontem, policiais da 6ªDP (Cidade Nova) localizaram uma piscina de 20 metros quadrados, com vista para a Baía de Guanabara, que acabara de ser construída na localidade conhecida como Terreirão, na divisa do Morro São Carlos com o Morro do Querosene.

Os traficantes Anderson Rosa Mendonça, o Coelho, e Sandro Luiz , o Lindinho ou Foca, inauguraram a piscina há pouco mais de uma semana. “Eles fizeram para organizar festinhas particulares em dias de calor. Ninguém da comunidade podia entrar. Só bandido”, disse um policial.

Coelho tinha também uma casa com piscina e churrasqueira e uma academia de ginástica, que foram encontradas pela PM. Agentes também acharam outra casa que Coelho teria dado a uma amante e uma espécie de ‘motel particular’, com cama e hidromassagem, onde ele organizava orgias.

Antes da ocupação de ontem, no entanto, os bandidos conseguiram retirar modernos aparelhos eletrônicos, eletrodomésticos e outros itens de valor que faziam parte da mobília dos imóveis mais luxuosos do São Carlos. Segundo moradores, a semana passada foi de correria. Traficantes teriam organizado fuzis, pistolas, drogas e seus objetos mais caros. Colocaram em caminhões de mudança e buscaram novo lar.

Líderes buscam abrigo em outras favelas da cidade

O destino dos líderes da facção Amigos dos Amigos (ADA), que dominava o São Carlos, foi a Rocinha. Assim como Coelho e Foca, Valquir Garcia dos Santos, o Carré, da Coroa, também foi para São Conrado. Mas o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, não confirmou o paradeiro deles. Informou apenas que órgãos de inteligência detectaram a movimentação dos criminosos, que serão presos.

Além da Rocinha, os morros do Urubu, do Dezoito, e da Pedreira, além do Caju, abrigaram bandidos do São Carlos e do Macacos, que já estavam lá. Os chefes dos morros da Fallet, Fogueteiro, dos Prazeres e Escondidinho, do Comando Vermelho, também fugiram. O local servira de abrigo para foragidos do Alemão. Agora, eles estão no Morro Santo Amaro, na Glória, e favelas da Zona Norte. Gerente geral do tráfico, Paulo César Batista de Castro, o Paulinhozinho, foi mais um que escapou.

Fugitivos achados em Laranjeiras

Policiais do 2º BPM (Botafogo) prenderam ontem em Laranjeiras Valdelir Teixeira de Jesus, de 33 anos, e Waltencir Gonçalves Júnior, 29, que teriam fugido quinta-feira do morro da Fallet. Eles estavam num apartamento da Rua Pereira da Silva. Os policiais receberem denúncia anônima. No apartamento, também foram presos o dono do imóvel, Cid Carvalho Morgado, 53, Álvaro Eduardo Cortez Pereira, 33, que teria ido buscar drogas, e Gabriela da Silva, 26. Ela seria namorada de Valdelir e teria ido levar comida para os bandidos. Todos foram para a 9ª DP (Catete).

OUTRA OCUPAÇÃO BEM-SUCEDIDA E UM ALERTA



OPINIÃO, O Estado de S.Paulo, 08/02/2011


Sem disparar um único tiro, 800 homens das Polícias Militar, Civil, Federal, Rodoviária Federal e fuzileiros navais gastaram menos de duas horas para ocupar nove favelas do centro e da zona norte do Rio de Janeiro. A operação contou com o apoio de helicópteros, blindados da Marinha e retroescavadeiras. Na operação foi fechada uma enfermaria clandestina mantida pelo narcotráfico e apreendidas grandes quantidades de entorpecentes e armas. Centenas de traficantes fugiram para comunidades próximas, onde as autoridades de segurança pública pretendem prendê-los nas próximas semanas. Mas o objetivo principal da operação foi criar as condições para a instalação de três Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) naqueles morros.

A rapidez e a eficiência demonstradas nessa operação confirmam o sucesso da política de segurança pública no Rio de Janeiro, depois que as autoridades substituíram as antigas estratégias de confronto por programas integrados de afirmação da presença do Estado nas favelas, com base na valorização dos serviços de inteligência, numa bem articulada ação conjunta de órgãos municipais, estaduais e federais e no envolvimento da área social da Prefeitura e do governo do Estado com movimentos comunitários e entidades religiosas.

Ao contrário do que ocorreu nas outras operações de ocupação de morros e favelas cariocas, que foram realizadas de surpresa, desta vez a hora e o dia da ocupação das nove favelas foram amplamente divulgados pela Secretaria da Segurança Pública com pelo menos dois dias de antecedência. Segundo o secretário José Mariano Beltrame, isso foi feito para evitar confrontos com facções criminosas e, com isso, reduzir o risco de mortes de inocentes nos tiroteios.

"A retomada do território e a restauração da autoridade do poder público são mais importantes do que as prisões de pequenos traficantes e as estatísticas de bala perdida", diz Beltrame. E, como os delinquentes são obrigados a fugir para morros e favelas onde são considerados "forasteiros", é grande a probabilidade de que sejam denunciados à polícia pelos moradores. E aí, afirma o secretário, poderão ser presos sem oferecer maior resistência.

As fugas dos traficantes nas horas que antecederam a operação de domingo foram monitoradas pelos serviços de inteligência das Polícias Militar e Civil e fotografadas por satélite. O principal destino dos bandidos foragidos foram as Favelas do Caju, do Morro da Pedreira, do Engenho da Rainha e da Rocinha. Situada no bairro de São Conrado, esta última é a maior favela da cidade e o maior entreposto de drogas da zona sul. Sua ocupação ainda não tem data para ser realizada, uma vez que exige planejamento cuidadoso e o emprego de grande contingente de soldados, agentes policiais, fuzileiros e blindados.

"Temos de dar passos previamente definidos. Não vamos entrar de forma atabalhoada em nenhum local", diz Beltrame. Segundo ele, o modelo de ocupação de favelas controladas pelo narcotráfico já estaria consolidado, podendo assim ser aplicado em outras regiões do País - principalmente no Nordeste, onde os Estados do Maranhão, Piauí e Rio Grande do Norte e Paraíba registram aumentos de 242%, 203% e 178%, respectivamente, em seus índices de criminalidade, entre 2000 e 2010. Para os especialistas, contudo, como a violência varia conforme o perfil socioeconômico de cada região, seria apressado afirmar que a bem-sucedida experiência posta em prática pela Secretaria da Segurança Pública do Rio de Janeiro daria certo em todo o Brasil.

Antes de pensar em exportar o modelo de ocupação, o desafio à frente das autoridades fluminenses é garantir o bom funcionamento das UPPs e assegurar que não sejam depois corrompidas pelo narcotráfico. A experiência do Rio de Janeiro está apenas começando, pois para restabelecer o império da lei e o princípio da autoridade em toda a cidade não basta retomar as áreas sob o controle do narcotráfico, mas são necessárias obras e programas sociais, do município e do Estado, cuja implementação leva tempo.

TROPA DE ELITO - ABIN REAGE A CONTROLE MILITAR


Abin reage a controle militar em carta a Dilma e rejeita ser ‘Tropa do Elito’. Funcionários da Agência Brasileira de Inteligência pedem encontro reservado no Planalto para protestar contra ações do general José Elito, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, e afirmam que são civis e devem estar ligados à Presidência - 07/02/2011, 23h 00 - Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - Sem saber exatamente o que a presidente Dilma Rousseff pretende fazer com a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), a chamada "comunidade de inteligência" entrou em choque com o general José Elito, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Desde a criação, em 1999, a Abin é subordinada ao GSI. O estopim da rebelião foi a exigência do general de que todos os relatórios do serviço de inteligência sejam submetidos previamente à sua análise.

A decisão do general de avaliar a possibilidade de acabar com o Departamento de Contraterrorismo (DCT), criado em 2008 na gestão Paulo Lacerda, aprofundou ainda mais a crise envolvendo a Segurança Institucional e a Associação dos Oficiais de Inteligência (Aofi).

A associação pediu audiência no Planalto para discutir a crise e foi recebida no dia 27 de janeiro por três funcionários da chefia do Gabinete da Presidência, o que deixou ainda mais irritado o general. Giles Azevedo, chefe de Gabinete da Presidência, não estava presente na reunião.

Carta. Em carta entregue à Presidência, a "comunidade de inteligência" pede que a Abin não tenha nem subordinação militar nem subordinação policial. Em evidente trocadilho com o filme Tropa de Elite, funcionários da Abin dizem que não querem ser da "Tropa de Elito".

A Aofi pede que a agência seja ligada diretamente à Presidência da República. "Solicitamos à Presidência um comando civil para a Abin uma vez que somos funcionários públicos civis, pertencentes a uma instituição civil", disse um oficial da associação. Ele pediu que a identidade fosse mantida em sigilo por ser agente que faz serviço de campo.

A equipe de transição da presidente chegou a estudar a desvinculação da Abin da Segurança Institucional, mas o trabalho ficou pela metade e até agora não há clareza sobre o que o novo governo quer da agência.

A associação dos oficiais de inteligência foi criada em 5 de novembro passado e serve de contraponto à Associação dos Servidores da Abin, composta principalmente por funcionário oriundos da "comunidade de informações", muitos com experiência no Serviço Nacional de Informações (SNI). A direção ainda é interina e aguarda a realização da primeira eleição.

‘Que se exploda’. A possibilidade de acabar com o Departamento de Contraterrorismo foi considerada uma ideia "despropositada" pelos oficias da inteligência. Avisado de que não poderia acabar com o departamento porque o Brasil é signatário de tratados internacionais coordenados pelas Nações Unidas, o general, conforme relatos feitos ao Estado, desabafou: "Quero que a ONU se exploda".

O confronto entre o general Elito e os funcionários da Abin começou logo nas primeiras reuniões depois da posse, no dia 5 de janeiro, quando ele avisou que a principal reivindicação da categoria - a desvinculação da Abin do GSI - só aconteceria "se ele saísse do cargo".

A possibilidade de tirar a Abin é vista pelo general como um ato de esvaziamento do GSI, reduzindo seu trabalho à segurança presidencial, como era no antigo Gabinete Militar.

Na sequência das primeiras reuniões, o general exigiu que os relatórios do serviço de inteligência passem pelo seu crivo e tenham um espaço para observações do chefe do GSI, antes de irem para o Sisbin, o Sistema Brasileiro de Inteligência.

A iniciativa foi considerada "centralizadora" e "inadequada" porque a doutrina de inteligência exige que os relatórios sejam imparciais e isentos de qualquer opinião. Além do clima beligerante com a Abin, o general começou estreando no comando do GSI criando uma saia justa para o governo Dilma.

Desaparecidos. No dia da posse, Elito, que comandou a Força de Paz da ONU no Haiti (Minustah), afirmou que os desaparecidos políticos não deveriam ser motivo de vergonha para o Brasil. O general foi chamado por Dilma para se explicar, mas não foi repreendido publicamente. Disse que foi mal interpretado.

O ENGESSAMENTO DO EXECUTIVO

Ernani Heberle, Prefeito de Flores da Cunha, Zero Hora 08/02/2011

O setor público tem sofrido insistentes críticas por parte da sociedade brasileira, o que nos leva à necessidade de repensar o modelo existente. Mesmo sabendo das particularidades que são próprias do setor, entendemos que é possível promover reformulações que tragam mais dinamismo, mais eficiência e um novo alento para os administradores públicos. É importante ressaltar que, enquanto na iniciativa privada (ou qualquer cidadão comum) pode-se fazer tudo aquilo que a lei não proíbe, no setor público só podemos fazer aquilo que a lei autoriza. É uma diferença enorme, um verdadeiro abismo entre a vontade de fazer, o direito e a possibilidade de fazê-lo.

E aí começa o grande entrave para uma eficiente administração, pois, ao contrário da iniciativa privada, os gestores públicos não têm autonomia, não têm poder e nada podem fazer, a não ser que haja previsão legal. É uma inversão de valores! Não temos liberdade de contratar, de demitir, de agir, de fazer, de comprar ou vender. E, além disso, o que é pior, somos jogados na “vala comum” como se todos fôssemos desonestos, corruptos, ineficientes e sem capacidade administrativa.

De outro lado, a convivência entre os três poderes legitimamente constituídos, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, independentes e harmônicos entre si, por vezes não é pacífica, especialmente quando há interesses conflitantes. Soma-se a isso a ingerência que o Executivo sofre de órgãos externos, como Ministério Público, Tribunal de Contas, meio ambiente, conselhos municipais, alguns deles com poder de deliberação. Mais: sofremos a pressão da imprensa, que tem descarregado suas baterias contra o setor público. Finalmente, estamos também subordinados ao clamor popular, pois o povo que nos elege é o povo que nos cobra.

O momento é propício ao debate, pois o país cresce, tem economia sólida e ajustes precisam ser feitos, especialmente na área governamental. Por isso, o setor público é a “bola da vez” e precisa ser repensado, sob pena de inviabilizar o interesse de pessoas de bem pelas causas públicas. Urge, pois, a discussão sobre o real tamanho do Estado, qual Estado que queremos e os mecanismos que contribuam para uma eficiente administração. Dentre os assuntos a serem abordados, estão a reforma administrativa (urgente e necessária), Lei das Licitações, Fundos de Previdência dos Servidores, melhor repartição dos recursos (União, Estado e municípios) e autonomia administrativa do Executivo.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Em ato inédito e anacrônico no mundo, o Brasil consagrou na constituição federal o município como unidade federativa autônoma. Este dispositivo faz com que esta "unidade" passe por cima do Chefe do Governo Estadual (outra unidade federativa) para buscar o atendimento de seus interesses diretamente na União e no Congresso Nacional. É por isto que comitivas de prefeitos, vereadores e assessores se deslocam constantemente à Brasília para garantir recursos para as suas comunidades. E em Brasília, aproveitam-se disto os mediadores, atravessadores, oportunistas e capos políticos para manterem seus militantes a cabestro de seus interesses de poder. Não é a toa que a maioria dos impostos vai para a União que ainda mantém serviços públicos sob seu poder.

Enquanto isto, os gastos municipais e a preocupação do Prefeito se elevam para prestar contas do mandato. É um processo dirigido para comprometer e aliciar.

Na minha opinião, as unidades municipais deveriam, como no resto do mundo, ficar sob amparo da sua unidade federativa estadual, assumindo a maioria dos serviços públicos e arrecadando seus impostos para custear o povo local. Hoje, apesar de arrecadarem um volume expressimo em impostos, os municípios mendigam por verbas e não conseguem estender à população serviços públicos de qualidade.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

CULTURA PARA NÃO INVESTIGAR POLÍTICOS

'Existia em Brasília uma cultura de não investigar políticos' - Para delegado, corrupção no DF sobreviveu à Operação Caixa de Pandora, mas ele garante que ação contra a impunidade será intensa - 07 de fevereiro de 2011 - Vannildo Mendes e Fausto Macedo - O Estado de S.Paulo

A polícia brasiliense, reconhecida por ter resultados operacionais acima da média nacional - soluciona 52% dos homicídios, índice cinco vezes maior que a média nacional, que não passa de 10% -, tem um "calcanhar de Aquiles": não investiga políticos e nunca pôs um corrupto na cadeia. Há um mês no cargo de secretário de Segurança, o delegado federal Daniel Lorenz diz que a era da impunidade acabou. "Nós vamos atrás dos corruptos, com operações bem feitas e com provas de qualidade", avisou. "A partir de agora, se andar errado, pau nele."

Egresso da área de inteligência, Lorenz recebeu o Estado em seu gabinete, ainda em fase de ajustes. Ele procurava local para fixar dois adereços inseparáveis, não importa onde está: a bandeira do Internacional de Porto Alegre e uma foto autografada do Papa João Paulo II, em cuja segurança atuou como atirador de elite do Comando de Operações Táticas (COT), na visita ao Brasil em 1991. Adepto das novas tecnologias, ele usa um smartfone, o qual chama de "disque-desgraça", que mostra em tempo real as ocorrências policiais.

O novo xerife disse ter informações de que a corrupção em Brasília é mais abrangente do que se imagina e sobreviveu à Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, que prendeu o ex-governador José Roberto Arruda em 2010 e indiciou mais de 30 suspeitos, entre parlamentares e secretários de Estado. O esquema, batizado de "mensalão do DEM", corria solto sob o olhar omisso da polícia local desde a década de 90. "Existia na cidade uma cultura de não investigar político", constatou.

Qual a situação da segurança no Distrito Federal?

Como no resto do País, a insegurança cresceu também em Brasília, mas a situação ainda é confortável quando comparada à média nacional. O problema é mais preocupante na região do Entorno. A boa situação de Brasília resulta de vários fatores: além do alto padrão de vida dos moradores, o governo do Distrito Federal paga os melhores salários aos policiais, civis e militares, que desfrutam também de excelentes condições de trabalho. Na PM, o salário inicial de soldado é de quase R$ 5 mil. Na Polícia Civil, um agente começa ganhando R$ 7,5 mil e um delegado em início de carreira R$ 13 mil.

Mas a sensação de insegurança da população persiste. Por quê?

A polícia local trabalha com planejamento estratégico, produz estatísticas confiáveis e tem elevado índice de resolução de crimes. No caso dos homicídios, o índice é de 52%, quando a média nacional é de 10%. A demora na solução do crime da 113 Sul (assassinato do ex-ministro do TSE José Guilherme Villela, em agosto de 2009), foi uma exceção derivada de uma série de erros, sobretudo da guerra de vaidades de autoridades que atuaram no caso. Mas a nossa polícia tem quadros excelentes e tradição de eficiência em investigação criminal. O caso terá desfecho em breve.

Mas é uma polícia que não combate corrupção e foi surpreendida com a Caixa de Pandora.


De fato essa é uma deficiência e o novo governo vai corrigir, até porque temos indícios de que a corrupção em Brasília sobreviveu à Caixa de Pandora. Essa omissão ocorre porque na cidade existia uma cultura de não investigar políticos. Mas isso vai mudar. A polícia vai usar toda sua eficiência para investigar a corrupção com rigor.

Como vai mudar essa cultura?

Quando assumi o cargo, fiz uma provocação aos nossos policiais: Se eles (a Polícia Federal) fazem uma Operação Caixa de Pandora, por que vocês não? Eles se espantaram no começo, mas tomaram gosto e já temos uma meia dúzia de operações engatilhadas. Teremos em breve novidades importantes. A polícia de Brasília vai atuar com firmeza contra a corrupção, que prosperou justamente pela impunidade e falta de investigação policial.

Que medidas o senhor está adotando nesse sentido?

Eu dei passos concretos: fortaleci a Delegacia de Repressão aos Crimes contra o Patrimônio Público e estou tomando medidas para um combate eficiente à corrupção com o mesmo rigor técnico da PF, que será chamada a ajudar nas investigações contra desvio de dinheiro público. A partir de agora, se andar errado, pau nele. Nós vamos atrás dos corruptos, com operação bem feita e com prova de qualidade.

Em que setores a investigação vai focar?


Todos, mas uma das áreas expostas à corrupção onde vamos atuar com certeza é a grilagem de terras. Estamos montando também uma corregedoria forte, que atue de verdade. É preciso que a corregedoria promova uma limpa e atue no sentido da prevenção e na cobrança de resultados internos, tanto para evitar que policiais fiquem tanto tempo respondendo a um processo administrativo quanto para dar celeridade e eficácia aos inquéritos. Não tem como negociar o desvio de conduta.

Em que se baseia seu projeto?


O plano tem cinco pilares: planejamento estratégico, gestão operacional voltada para a qualidade e urbanidade no tratamento ao cidadão, estrutura de inteligência, corregedoria forte e investimento no talento humano. Uma polícia tão bem aquinhoada não pode ser truculenta.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Parece vassoura nova. Motivada, com plano bem elaborado e sem visão ampla do complexo sistema de ordem pública vigente no Brasil. As Polícias do DF são as mais bem aquinhoadas do Brasil e nem assim conseguiram deter o crime e a corrupção. É preciso muito mais do que uma secretaria de segurança sedimentada em cinco pilares.

As unidades federativas deveriam extinguir as secretarias de segurança e criar conselhos da paz social integrado por representantes do Executivo nas áreas policiais, prisionais, defensoria, MP, saúde, educação e social e representantes convidados da Assembléia legislativa e Judiciário. Cada polícia, forte e valorizada, continua fazendo o seu papel enquanto o conselho luta para integrar, agilizar e harmonizar os instrumentos de coação, justiça e cidadania na preservação da ordem pública. O crime e a corrupção só serão vencidas se os Poderes de Estado constituirem um sistema integrado, ágil e harmônico, devidamente amparado por leis fortes e coativas. A ordem pública não se garante com polícia e nem com benevolências, mas com prevenção, contenção e justiça coativa.

UPPs - ESTRATÉGIAS EXITOSAS COMO MODELO PARA O BRASIL


Êxito de novas ocupações no Rio reforça propostas de levar UPPs a outros estados - 07/02/2011 às 00h15m - Ana Claudia Costa, Jaílton de Carvalho e Lauro Neto


RIO E BRASÍLIA - Depois do sucesso da operação no Complexo de São Carlos e nos morros de Santa Teresa, que utilizou novamente várias forças policiais, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, elogiou a ocupação de nove comunidades. Cardozo comparou as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) do Rio ao programa Territórios da Paz, do Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania), e disse que o modelo pode servir de exemplo para o combate da violência em outros estados. O ministro deixa claro, porém, que a expansão das UPPs ou dos Territórios da Paz depende de peculiaridades de cada região e das decisões dos governadores. (Veja mais fotos da operação no Complexo de São Carlos)

- O resultado (da ocupação dos morros no Rio) não poderia ter sido mais positivo. Hoje (ontem) foi dado mais um passo importante na luta contra criminalidade - disse.

O secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, disse que esse modelo de ocupação, associado à implementação de UPPs, pode ser aplicado em outros estados. Para Beltrame, todos têm o interesse em reduzir a criminalidade da mesma forma que o Rio:

- Daqui, podemos levar essas ações para outros estados e, quem sabe, diminuir os índices de criminalidade, que não é só o que o carioca quer, é o que todo o Brasil quer.

Para Celso Athayde, coordenador da Central Única das Favelas (Cufa), as UPPs podem sim ser exportadas para o resto do país. Ele ressaltou, porém, que é necessário que o modelo assegure a reinserção social dos moradores.

- O modelo pode ser exportado mas precisa ser melhorado. Ainda há muitos problemas em áreas de UPPs que precisam ser levados em consideração. É preciso resolver questões como a miséria e a falta de empregos ou os moradores vão migrar das favelas de UPP para outras em que ainda há gatos de água e de luz. Não porque sejam a favor da bagunça, mas por não terem condições de pagar pelos serviços - argumentou Athayde.

Ao lado de integrantes das forças policiais que trabalharam na ocupação, o secretário Beltrame comemorou a ação que não vitimou inocentes:

- O objetivo de recuperar o território do tráfico foi alcançado sem aumento de estatística de balas perdidas, sem autos de resistência e sem homicídios. Esse era um dos redutos mais violentos de conflitos de traficantes rivais.

Mesmo com a certeza de que já tinha o controle das favelas da região central, Beltrame disse que a missão da polícia ainda não acabou. Para o secretário ainda há prisões a serem feitas e armamento a ser apreendido. Beltrame disse que o Rio de Janeiro ainda está longe do modelo que a cidade deveria ter:

-Não tem jogo ganho. Ainda tem muita coisa a ser feita, muita água a passar embaixo da ponte. Vamos continuar trabalhando mas com a idéia fixa de poupar vidas.

De acordo com o secretário, avisar antecipadamente de uma ocupação policial para implantação de uma UPP é uma estratégia da polícia que pode ser usada ou não:

- Avisamos ou não de acordo com avaliação de cada força policial. Pode ser avisado pelo governador, pode ser avisado por qualquer força policial envolvida. Queremos poupar vidas e tudo é avaliado.

CRIANÇAS SÃO ALICIADAS PELO TRÁFICO


RBS TV mostra como funciona venda de drogas na Vila Maria da Conceição - FÁBIO ALMEIDA MARCELO MAGALHÃES | RBS TV, Zero Hora 07/02/2011

Crianças correndo de um lado para o outro. Adolescentes com mochilas nas costas conversando com motoristas que param a todo o momento carros e motos. Essa é a rotina na Rua Paulino Azurenha, no bairro Partenon, na zona leste da Capital. Toda essa movimentação é um disfarce para o tráfico que funciona 24 horas no local.

Por duas semanas, equipes de reportagem da RBS TV acompanharam como funciona a venda de drogas na Vila Maria da Conceição, apontada pelas autoridades como a maior boca de fumo de Porto Alegre, e descobriram um exército de jovens e crianças aliciados para o crime.

Com uma câmera escondida, foi registrado o flagrante da venda de cocaína e maconha. O carro usado pela equipe de reportagem chegou ao local numa tarde de quinta-feira, pouco depois das 17h. Um jovem aparentando menos de 16 anos e outro que parecia ter pouco mais de 10 anos abordaram o veículo oferecendo as drogas.

– Para aí, tio, para aí, tio – disse a criança.

– Que tu quer, tio? – quis saber o adolescente

O motorista do carro foi orientado a dar ré e fazer o pedido a outro adolescente, que ficava a cerca de cem metros do local da abordagem. No lugar apontado pelos jovens traficantes foi feito o pedido. Depois de dar a volta em duas quadras, as drogas foram entregues.

As drogas compradas pela reportagem foram entregues para a Promotoria Especializada Criminal do Ministério Público.

Segundo o subcomandante do 19º Batalhão da Brigada Militar, Alexandre da Rosa, jovens da comunidade são recrutados quase que diariamente para trabalhar no tráfico.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Onde estão o Juizado, o Ministério Público e o Conselho tutelar responsáveis pelas questões da infância e adolescência no Brasil? É mais uma prova que o sistema não funciona, está inoperante e as leis não são aplicadas e nem respeitadas. É preciso que a mídia investigue e leve as provas para a devida denúncia e processo. As polícias parecem cansadas e desmotivadas diante do retrabalho provocado por leis benevolentes, políticas tolerantes e instrumentos de justiça lenientes e morosos. Sem aplicação, as leis se tornam papéis sem qualquer utilidade na prática e no direito.