Revelamos aqui as causas e efeitos da insegurança pública e jurídica no Brasil, propondo uma ampla mobilização na defesa da liberdade, democracia, federalismo, moralidade, probidade, civismo, cidadania e supremacia do interesse público, exigindo uma Constituição enxuta; Leis rigorosas; Segurança jurídica e judiciária; Justiça coativa; Reforma política, Zelo do erário; Execução penal digna; Poderes harmônicos e comprometidos; e Sistema de Justiça Criminal eficiente na preservação da Ordem Pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

ELES GOSTAM MESMO É DE UMA "BOA" DITADURA



Integrantes do Ultras, radicais partidários do presidente deposto do Egito Mohamed Mursi, gritam slogans em protesto no acampamento montado nos arredores da Universidade do Cairo: governo prometeu passagem segura e integração às negociações políticas para manifestantes deixarem o local
Foto: REUTERS/Amr Abdallah Dalsh
Nos países bolivarianos, a “democracia” está sendo instrumentalizada para a implementação de seu projeto socialista, destroçando as liberdades

ARTIGO - DENIS LERRER ROSENFIELD
O GLOBO:12/08/13 - 0h00


O uso equivocado ou dúbio de palavras não apenas dificulta a compreensão como é potente fator de desorientação da ação humana. Quando mal conceitualizamos um evento, tanto menos somos capazes de entender o que está acontecendo. Os juízos moral e político ficam sem parâmetros, ziguezagueando ao sabor das conveniências ideológicas.

Um caso particularmente relevante concerne ao modo mediante o qual o dito “golpe” egípcio é avaliado e, para além dele, a como a diplomacia brasileira “compreende” o que vêm a ser os “progressos” da América Latina em sua vertente socialista, bolivariana. Ainda recentemente, o Brasil sediou o Foro de São Paulo, entidade esquerdista latino-americana, que se caracteriza pelo seu apreço a toda política liberticida, em nome, pasmem, de uma nova “democracia”. Gostam mesmo é de uma “boa” ditadura. Os representantes ideológicos do passado procuram se travestir de um manto politicamente aceitável, ferramenta para enganar os incautos.

A propósito do juízo político sobre os eventos do Egito, alguns analistas fizeram um uso muito curioso dos conceitos de “democracia” e “liberalismo”, como se lá tivesse ocorrido uma colisão entre ambos. Mais comezinhamente, deveríamos dizer que lá ocorreu um divórcio entre um resultado eleitoral e os que defendem direitos e liberdades, que vinham sendo usurpados por um governo islamista. Este, progressivamente, sufocava as liberdades, implantando sua particular interpretação dos valores islâmicos, os defendidos pela Irmandade Muçulmana.

Não convém esquecer que essa mesma organização religiosa foi a responsável pelo assassinato do presidente egípcio Anuar El Sadat, participou da fundação da al-Qaeda e apoia o terrorismo do Hamas na Faixa de Gaza. Aliás, o atual líder da al-Qaeda é também ele egresso da mesma Irmandade Muçulmana. As credenciais “democratas” deste “partido” são de difícil aceitação!

Há um problema conceitual de monta aqui envolvido. A democracia, assim entendida, viria a significar exclusivamente a realização de eleições e a adesão incondicional aos eleitos, como se, doravante, tivessem eles o “direito” de tudo fazer, estando a sociedade submetida ao seu arbítrio. A democracia seria um mero instrumento de conquista do Poder que, uma vez garantido, asseguraria aos seus detentores a prerrogativa de tudo decidir, sendo soberanos no sentido ilimitado do termo. Nenhuma lei os limitaria, salvo aquela de fachada que eles mesmos se outorgam. O próprio Poder Judiciário torna-se um mero joguete em suas mãos, nada decidindo verdadeiramente, devendo se subordinar aos ditames do Executivo.

Logo, os direitos individuais são abolidos, valores burgueses nos dizeres bolivarianos, valores ocidentais nos dizeres islamistas. As liberdades são progressivamente sufocadas, em nome desses “outros” valores socialistas/islamistas segundo os casos, com o Estado aspirando por todos os poros mediante os quais uma sociedade respira. Normalmente, os seus alvos mais diretos são os grupos de mídia e imprensa, pois quem procura impor os seus valores e ideias tem como objetivo eliminar toda liberdade de expressão. Não espanta, pois, que advoguem por uma “democratização dos meios de comunicação”, que é uma forma velada de controlar as cabeças das pessoas e, por meio delas, a sociedade em geral. Ainda no Foro de São Paulo, o presidente Evo Morales julgou — na ausência de juízo que o caracteriza — que “sobra” liberdade de imprensa na América Latina. Ou seja, o que “sobra” é o que ainda não conseguiram eliminar. Teve a adesão dos “companheiros”.

Se a democracia é definida apenas em termos eleitorais, ela é reduzida a uma de suas condições, eliminando todas as outras. A própria alternância de Poder termina por não ocorrer, pois os que detêm as rédeas de comando da máquina do Estado eliminam tal possibilidade. Medidas arbitrárias são tomadas contra os opositores, tratados como se criminosos fossem. São comuns os processos contra os que se rebelam contra tal situação, uma vez que são tidos por inimigos a serem aniquilados.

A liberdade de imprensa, condição fundamental de toda sociedade livre, vê-se confrontada a restrições crescentes, como vemos na Venezuela, com empresas sendo fechadas ou vendidas a “empresários” amigos. Observe-se, neste sentido, a nova lei de controle da imprensa e dos meios de comunicação que acaba de ser aprovada no Equador, doravante submetidos ao governo, que passará a agir por intermédio de “censores legais”.

Nos países bolivarianos, a “democracia” está sendo instrumentalizada para a implementação de seu projeto socialista, destroçando as liberdades, destruindo as instituições, inviabilizando as oposições, calando os meios de comunicação e implantando a dominação do “Líder máximo” e de seu partido. Embora ditos não religiosos, sua ideologia se caracteriza por concepções teológico-políticas. No caso do presidente Maduro, da Venezuela, não lhe falta nem sua comunicação espiritual como ex-protoditador Chávez, que “fala” com ele através de uma “pomba”. É um homem abençoado, particularmente bem aventurado!

Acrescentem-se as restrições impostas pelos que procuram impor normas religiosas ao conjunto da população, mediante o controle absoluto dos costumes, atingindo mulheres e homossexuais, para que se tenha uma melhor visão de como a democracia é, assim, pervertida. Ou seja, os que dissociam democracia de liberalismo, dizendo defender a primeira, possuem um forte pendor liberticida. Mascaram-no, porém, ao atribuírem ao liberalismo uma característica não democrática.

Eis o contexto ideológico no qual se move a diplomacia brasileira, acatando todas as medidas liberticidas dos países bolivarianos e islâmicos, conivente com os desmandos que lá ocorrem de subversão da democracia por meios democráticos. O país termina se alinhando à escória mundial em nome da democracia e, os mais afoitos, em nome da luta contra o neoliberalismo. O Foro de São Paulo é a sua celebração!

Denis Lerrer Rosenfield é professor de filosofia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul

domingo, 11 de agosto de 2013

DEMOCRACIA SEM VALORES?


ZERO HORA 11 de agosto de 2013 | N° 17519


Percival Puggina*


Os recorrentes debates sobre a laicidade do Estado guardam relação apenas periférica com a questão religiosa. Ela fornece o acompanhamento, mas pouco tem a ver com o prato principal. Os limites entre Igreja e Estado já foram objeto de deliberação, e o Estado brasileiro, em reta conformidade com a sintética determinação de Jesus, é laico. A Deus o que é de Deus, e a César o que é de César.

O rufo de tambores que ouvimos é o de uma declarada guerra, nada santa, contra a influência do cristianismo na cultura e nos valores morais dos indivíduos. E contra o reflexo disso no Direito. Guerra pela completa abolição dessa influência. Todos, inclusive os militantes do ateísmo, sabem que: 1º) é quase impossível “desconverter” os indivíduos de uma fé em Deus para uma fé no Nada absoluto; 2º) é inaceitável pela sociedade a ideia de um Direito moralmente insignificante, ou que ignore os princípios e valores compartilhados pelos membros da sociedade. Diante de tais e tão grandes dificuldades, os militantes do ateísmo cultural propuseram-se a algo muito mais sutil – querem esterilizar a moral nos próprios indivíduos. Como? Convencendo você, leitor, por exemplo, de que os princípios e valores que você adota são, na origem, tão religiosos (e por isso mesmo tão pessoais) quanto a própria religião que porventura professe. Integrariam, então, aquele foro íntimo no qual se enquadrariam a própria religião e suas práticas. Pronto! Segundo o princípio da laicidade do Estado, tais princípios e valores só teriam vigência na vida privada.

As investidas contra os símbolos religiosos são apenas a ponta do rabo do gato. O felino inteiro é muito mais pretensioso. E maior. O que pretende é laicizar a cultura, as opiniões e, principalmente, os critérios de juízo e decisão. Portanto, toda a conversa fiada sobre supostas infrações à devida separação entre o Estado e a Igreja precisa ser entendida como aquilo que de fato é: atitude de quem adotou o Estado, e só o Estado, por fonte de todo bem, baliza perfeita para o certo e o errado, e vertente dos valores que devem conduzir a vida social. Convenhamos, é uma tese. Mas – caramba! – qual é, precisamente, a moral do Estado? Na prática, a gente conhece... Na teoria, é a que a sociedade majoritariamente determine, excluída a que moldou a civilização ocidental. Ou seja, aquela que deriva do cristianismo, proclamada inadmissível perante a laicidade do Estado, blá, blá, blá.

Tal linha de raciocínio não resiste ao primeiro safanão. Precisa de reforços e apoios propiciados pelo relativismo moral. Cabe a este filho do pós-modernismo mostrar que a moral majoritária é apenas uma das tantas que andam por aí através do tempo, do espaço e da miséria humana. Saem às ruas, então, representações desse moderno mundo novo – Parada Gay, Marcha das Vadias, Marcha pela Maconha, movimentos ou partidos como os que dançaram pelados na Câmara Municipal de Porto Alegre ou fizeram sexo com símbolos religiosos no Rio de Janeiro. Escandalosos? Escandalosos perante qual senso moral? O totalitarismo pós-Muro de Berlim, tipo Foro de São Paulo, precisa do ateísmo cultural e do relativismo para derrogar o cristianismo cultural, esse resíduo empobrecido do cristianismo. Destruídos os valores que o fundamentam, acaba a democracia pelo simples fato de que esta não se sustenta numa sociedade política sem princípios, sem valores e sem vergonha.*ESCRITOR

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

ANÁLISE DO ICS


 Índice de Confiança Social
CONPUBLICA, 17 de julho de 2013 em Análises

Você já conhecia o ICS (Índice de Confiança Social) do IBOPE?

Exatamente, o IBOPE possui um indicador que acompanha anualmente as oscilações na relação de confiança da população com as instituições e grupos sociais desde 2009.

A Família, Corpo de Bombeiros, as Igrejas e as Forças Armadas aparecem como as instituições mais confiáveis pela população desde o início da medição, assim como o Congresso Nacional e os Partidos Políticos ocupam as últimas posições nesse ranking de confiança.



Percebemos que o Poder Judiciário/Justiça foi a instituição com maior aumento em 2012 (4 pontos), recuperando sua pontuação de 2009, enquanto que as Eleições/Sistema Eleitoral teve a maior queda (5 pontos), ainda inferior a 2009. Contudo, no geral, o Índice de Confiança continua caindo gradativamente, apontando que os brasileiros estão menos confiantes nas suas instituições, organizações e serviços públicos.

A princípio o grupo escolheu o serviço público Escolas Públicas para a realização de uma análise de cenários, conforme a tabela a seguir:
Cenários Educação Pública
I Exploratório Baixa qualificação do professor; baixos salários; aumento do numero de alunos na sala; diminuição da autoridade formal do professor
Antecipatório Índice de Confiança Social em queda de 2009 a 2011 – de 62 para 55
II Descritivo Pertencer aos melhores 25 sistemas de ensino do mundo
Normativo Educação pública como instrumento de formação profissional e geração de renda.
III Tendências Fortalecimento da educação privada em detrimento do sucateamento da educação pública
Mudanças Educação como pauta dos movimentos sociais


Metodologia do ICS

O Índice de Confiança Social entrevistou 2002 pessoas de ambos os sexos com idade a partir dos 16 anos no Brasil, entre 12 e 16 de julho de 2012 em 140 municípios. Além do Brasil, a Argentina, Porto Rico e o Chile também são avaliados.

São consideras duas dimensões: a pessoal, dos indivíduos mais próximos do convívio do cidadão, e a das instituições e organizações sociais. A partir desses dois índices, é calculado um único índice de confiança social.

Os entrevistados são submetidos a uma escala de quatro pontos, variando entre: muita confiança, alguma confiança, quase nenhuma confiança e nenhuma confiança.

No final todas as pontuações atribuídas são somadas e divididas pelo número de respondentes e a pontuação é padronizada em uma escala de zero a 100 para que seja possível fazer comparações.


A margem de erro é de 2 pontos para mais ou para menos com um nível de confiança de 95%.

http://conpublica.wordpress.com/

Fonte: Relatório Índice de Confiança Social. IBOPE Inteligência. Disponível em < http://www.ibope.com.br/pt-br/noticias/Paginas/Corpo-de-Bombeiros-e-Correios-sao-as-instituicoes-de-maior-confianca-em-SP.aspx >



CORPO DE BOMBEIROS E CORREIOS SÃO AS INSTITUIÇÕES DE MAIOR CONFIANÇA

Corpo de Bombeiros e Correios são as instituições de maior confiança em SP

IBOPE 31/01/2013

Paulistanos apresentam menores índices de confiança que a média nacional

FÁBIO RODRIGUES POZZEBOM/ABR

​88% dos paulistanos afirmam confiar no Corpo de Bombeiros.


​O IRBEM (Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município), realizado pelo IBOPE Inteligência, em parceria com a Rede Nossa Paulo, também mensura a confiança que a população paulistana deposita nas instituições e órgãos públicos.

De acordo com o levantamento, 88% dos paulistanos afirmam confiar no Corpo de Bombeiros, organização que apresenta o maior índice entre as instituições pesquisadas.

Em seguida, entre as instituições nas quais os paulistanos mais confiam estão os Correios (86%), o Metrô (77%), a Sabesp e o Procon, ambos com 76%.

Já entre as instituições ou órgãos públicos que têm maior nível de desconfiança na opinião dos paulistanos estão a Câmara Municipal (69%), o Tribunal de Contas do Município (64%), as Polícias Civil e Militar (60%) e a Prefeitura de São Paulo (59%).

Comparação com o ICS

Assim como no IRBEM, o Corpo de Bombeiros também obtém a maior avaliação nacional no ICS (Índice de Confiança Social), atingindo 83 pontos, numa escala de 0 a 100.

As Forças Armadas, que ocupam a segunda colocação no ranking do ICS, com 71 pontos na escala, no IRBEM, mostram ter a confiança de 57% dos paulistanos, a nona colocação no ranking.

A confiança da população de São Paulo, quando comparada com a média nacional, também é menor em relação ao Poder Judiciário. Enquanto nacionalmente a instituição atinge 53 pontos na escala de 0 a 100, no IRBEM o percentual de confiança é de 40%.

O mesmo acontece com a Polícia, com a diferença que no ICS a instituição é avaliada sem suas divisões e no IRBEM são consideradas a Polícia Civil e Militar, além da guarda municipal. No ICS a organização como um todo soma 54 pontos e no IRBEM, tanto a polícia civil como a militar têm a confiança de 39% dos paulistanos, enquanto, a guarda municipal: 42%.

No ICS, as administrações municipais têm em média 45 pontos na escala. Já a prefeitura de São Paulo recebe a confiança de 39% da população em 2012 e o índice da câmara municipal é ainda mais baixo: 30%. No mesmo levantamento, 44% dos paulistanos dizem confiar nas subprefeituras da cidade.



CREDIBILIDADE NAS INSTITUIÇÕES BAIXOU



ZERO HORA 01/08/2013 | 21h49

Índice de Confiança Social

Protestos derrubaram credibilidade das instituições, aponta pesquisa do Ibope. Levantamento aponta que presidente Dilma perdeu três vezes mais do que demais pesquisados



Todas as principais instituições perderam boa parte da confiança dos brasileiros após os protestos de junho. Mas, entre elas, nenhuma perdeu mais do que a presidente Dilma Rousseff: três vezes mais do que o resto. É o que mostra uma pesquisa nacional do Ibope, chamada Índice de Confiança Social. Feita anualmente desde 2009, a edição de 2013 foi divulgada nesta quinta-feira.

Entre 2012 e julho passado, todas as 18 instituições avaliadas pelo Ibope se tornaram menos confiáveis aos olhos da opinião pública. É um fato inédito nas cinco edições da pesquisa. O índice de confiança nas instituições caiu sete pontos, de 54 para 47, e, pela primeira vez, ficou na metade de baixo da escala, que vai de zero a cem. Na primeira edição, em 2009, marcava 58.

— É uma crise generalizada de credibilidade. Está refletindo o momento do país, os protestos de rua. Já havia uma queda leve nos anos anteriores, mas agora a perda de confiança se acentuou — diz a CEO do Ibope Inteligência, Marcia Cavallari.

Nenhuma instituição passou incólume pela onda de protestos. Dos bombeiros aos partidos políticos, das igrejas aos sindicatos, todas as instituições se tornaram menos confiáveis para a população — inclusive os meios de comunicação, governo federal, prefeituras, Congresso e Judiciário. Uns mais, outros menos.

A confiança na instituição "presidente da República" foi a que mais sofreu. Perdeu 21 pontos em um ano. É três vezes mais do que a perda média de confiança das 18 instituições pesquisadas. Em 2010, com Luiz Inácio Lula da Silva no cargo, a Presidência era a 3ª instituição mais confiável, atrás apenas dos bombeiros e das igrejas.

No primeiro ano de governo de Dilma, seu índice de confiança caiu de 69 para 60. Recuperou-se para 63 no ano seguinte, e despencou agora para 42 — uma nota "vermelha". Em um ano, saiu da 4ª posição no ranking para a 11ª. Nenhuma outra instituição perdeu tantas colocações em tão pouco tempo.

O grau de desconfiança em relação à Presidência varia regionalmente. A queda foi pior no Sudeste, onde a instituição desabou de 60 para 34 pontos em um ano. Menos ruim foi no Nordeste, onde caiu de 68 para 54 pontos. Há diferenças entre as classes de consumo: 36 pontos na classe A/B contra 54 na D/E.

O resultado é ainda mais preocupante para o Congresso e para os partidos políticos. Mesmo sendo os piores do ranking de confiança das instituições, caíram ainda mais: de 36 para 29 pontos, e de 29 para 25, respectivamente. Mantêm-se nos dois últimos lugares da classificação desde 2009.

A confiança no sistema público de saúde sofreu a terceira maior queda, de 42 para 32, e segue na 16ª posição. Daí candidatos de oposição que sonham disputar a sucessão presidencial em 2014 começarem a articular suas candidaturas em torno do tema.

A confiança no Judiciário também caiu, de 52 para 46 pontos, mas como as outras instituições caíram ainda mais, a Justiça foi da 11º para a 10º posição no ranking.


AGÊNCIA ESTADO
http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/politica/noticia/2013/08/protestos-derrubaram-credibilidade-das-instituicoes-aponta-pesquisa-do-ibope-4220583.html




quarta-feira, 31 de julho de 2013

METAMÍDIA

O GLOBO 30/07/13

Francisco Bosco

A dicotomia entre as redes sociais e a mídia tradicional

No último domingo, a “Folha de S.Paulo” publicou um editorial intitulado “Mitos das redes sociais”, em que reconhece a utilidade das redes sociais “como ferramenta profissional e recreativa” e critica seus “aspectos mais controversos”. Vou fazer aqui com a “Folha” o que as redes sociais têm feito com a mídia tradicional; e, fazendo-o, pretendo demonstrar, em ato, os equívocos de compreensão desse editorial.

Começo observando o ligeiro descompasso entre o texto e a realidade, ao enfatizar a utilidade recreativa das redes sociais num momento em que milhares de pessoas vão protestar nas ruas — no Rio de Janeiro já há mais de 40 dias, sem descanso — mobilizadas justamente pelas redes. Essa mobilização faz parte do que o editorial considera os “aspectos mais controversos da rede”. Passemos a eles.

“À primeira vista um enorme fórum de livre debate, as redes são formadas por células que mais reiteram as próprias certezas e hábitos do que os submetem a discussão. Esta, quando ocorre, adquire tons de estéril guerrilha verbal”, afirma a “Folha”. Muitos livros sobre as redes já notaram essa tendência a que cada usuário forme uma rede pessoal que espelhe suas posições ideológicas (as tais “células” do editorial). Essa tendência me parece verdadeira, mas o fundamental aqui é que essa crítica se volta também contra a mídia tradicional, com a mesma pertinência — e isso nunca foi tão explicitado, nunca se tornou tão evidente quanto agora, precisamente pela produção crítica que circula nas redes.

A grande mídia tradicional abre espaço para o contraditório — a presente coluna comprova-o —, mas sua visão dominante tende a construir a realidade para seus leitores segundo os mesmos princípios acima criticados. Nesse momento histórico dos protestos, não tem sido possível sustentar uma suposta naturalização da produção da realidade (a realidade, não custa ser didático aqui, é sempre uma produção). Os ideários políticos que orientam a interpretação da realidade foram escancarados. E para isso muito têm contribuído as redes sociais. Vou dar um exemplo, servindo-me do próprio GLOBO. O Papa Francisco, em seu discurso no Teatro Municipal, disse a seguinte frase: “Entre a indiferença egoísta e o protesto violento, há uma opção sempre possível: o diálogo”. No dia seguinte, a manchete da capa do GLOBO era: “Papa prega diálogo contra protestos violentos”. Ora, o Papa criticou, ao mesmo tempo, o Estado surdo e a resposta violenta das ruas. Ao optar por suprimir a crítica do Papa ao Estado (no caso, a carapuça serve como uma luva ao Governador Sérgio Cabral), o jornal praticou precisamente uma “reiteração das próprias certezas”.

São críticas como essa que circulam nas redes sociais, convidando-nos a compreendê-la como uma espécie de metamídia: uma imensa e constitutivamente descentrada mídia que submete a mídia tradicional a leituras críticas. Daí que o editorial da “Folha” esteja equivocado ou agindo de má-fé ao afirmar que “as redes são uma ampla câmara de ressonância da própria mídia”, e que “80% do conteúdo informativo tramitado pelo Twitter, por exemplo, relativo às jornadas de junho passado, era produzido pelo jornalismo profissional, da imprensa e da TV”. Em primeiro lugar, as redes são antes uma ampla câmara de dissonância da mídia tradicional. Depois, a expressão “conteúdo informativo” me parece, salvo engano, capciosa. Ela parece considerar informativo apenas o que é link, descartando da conta todos os demais posts críticos. É uma espécie de petição de princípio: só considera informação o que ela mesma produz, e então conclui que ela produz a maior parte da informação. Eis aí, uma vez mais, a tal reiteração das certezas e hábitos que o editorial projeta (em sentido psicanalítico mesmo) nas redes sociais.

Ninguém — nem sujeitos, nem instituições — interpreta a realidade, a cada momento, a partir de uma tábula rasa. Todos a interpretam a partir de um sistema complexo a envolver tendências (ou convicções) ideológicas, imaginárias, afetivas etc. Nesse sentido, a metamídia das redes produz ao menos um efeito contraideológico. Por outro lado, é dever de todo sujeito e de toda instituição públicos pôr à prova essas certezas ou hábitos medindo-os contra os fatos, procurando comparar os argumentos de maneira mais justa, mantendo o espírito livre de sectarismos, mobilizando, em suma, todos os recursos possíveis para que se atinja uma compreensão mais precisa da realidade. O compromisso do jornalismo é com a verdade, e não com a tentativa de adaptar os fatos a uma visão prévia da realidade. Isso vale tanto para a mídia tradicional quanto para as novas mídias, como a NINJA.

BANALIZAÇÃO DO BEM



A maior novidade do discurso inovador do Papa é que a reforma moral proposta por ele deve passar pelo diálogo e o encontro, não pelo confronto

ARTIGO - ZUENIR VENTURA
O GLOBO
Publicado:31/07/13 - 0h00


Nesses tempos sombrios de violência, guerra, miséria e fome, em suma, da chamada banalização do Mal, é sintomático que o Papa Francisco tenha conseguido um extraordinário sucesso pregando justamente o contrário, algo como a banalização do Bem. A sua foi a primeira voz autorizada de alcance planetário a se levantar contra a razão cínica em voga, propondo em seu lugar um círculo virtuoso, uma espécie de revolução ética contra a cultura do provisório, da exclusão e do descartável. Quem sabe ele não estará pondo fim a um ciclo de produção do mal como energia incontrolável? O filósofo francês Jean Baudrillard, estudioso do tema e cético quanto à sua erradicação, achava inevitável o funcionamento das sociedades sobre a base da “disfunção, do acidente, do catastrófico, do irracional”. Na sua opinião, “dizer que tudo isso pode ser exorcizado, erradicado, significa insistir numa perspectiva religiosa da salvação”. Pois durante a semana que passou entre nós, foi nessa perspectiva que o Papa insistiu, distribuindo esperança e atualizando antigos valores e virtudes como a solidariedade e a tolerância, esquecidos ou “fora de moda”. Ele pode até ser criticado pelo que calou (aborto, preservativo, célula-tronco), mas não pelo que falou de outros temas tabus: “Se uma pessoa é gay, quem sou eu para julgá-la?” “A mulher na Igreja é mais importante que os bispos e os padres.” A maior novidade de seu discurso inovador é que a reforma moral proposta por ele deve passar pelo diálogo e o encontro, não pelo confronto. Pela compreensão, não pela animosidade. Nunca pela intransigência e o radicalismo. Essa talvez seja a melhor contribuição para a paz do evangelho segundo Francisco.

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Ao facilitarem o trabalho dos garis ajudando a recolher o lixo depois dos eventos, os peregrinos deram uma lição de educação para os foliões sugismundos e mijões, que no carnaval espalham detritos nas ruas e urinam nas calçadas, canteiros e até através das grades dos edifícios. Mais um legado de civilidade deixado pelos alegres fieis da JMJ.

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Por falar em onda do bem: o Hospital do Cérebro Paulo Niemeyer, que está sendo inaugurado, impressiona não só porque é um dos mais bem instalados e equipados do mundo, mas também por ser uma obra “padrão Papa”, ou seja, é excelente e não se destina aos privilegiados, e sim aos necessitados do SUS. E pensar que, com o que foi gasto com muitos dos estádios que vão virar elefantes brancos depois da Copa, algumas dezenas desses hospitais podiam ser construídas pelo Brasil afora.

Zuenir Ventura é jornalista