FALTA DE RECURSOS. Programa de proteção a testemunhas novamente em xeque. Testemunhas denunciam precariedade dos programas que oferecem proteção no país - OPINIÃO E NOTÍCIA - 06/04/2011
Uma denúncia feita em março por uma mulher que disse ter presenciado o assassinato de um homem por dois policiais militares de São Paulo trouxe novamente à tona o debate sobre o programa brasileiro de proteção a testemunhas.
A mulher ligou do celular para o telefone 190 da PM e denunciou o ocorrido. Os dois policiais devem responder por homicídio duplamente qualificado e a mulher está sob guarda policial. A PM informou que ela não quis entrar para o programa de proteção a testemunhas para não precisar mudar completamente a sua vida.
Muitas pessoas se sentem inseguras na hora de denunciar crimes, principalmente contra policiais. Entre os motivos está a precariedade dos programas que oferecem proteção a testemunhas no Brasil.
Leia também: Quem protege as testemunhas no Brasil?
Uma outra mulher, que presenciou o assassinato do filho por policiais militares e que esteve sob os cuidados do programa de proteção a testemunhas, contou à equipe do Bom Dia Brasil, da TV Globo, que precisou mudar de estado e que passou necessidade. A mulher disse ainda que recebia entre R$ 250 e R$ 300 por mês e que foi pressionada a abandonar o programa após três anos, mesmo com os assassinos do seu filho soltos. Ela teria sido dispensada da proteção porque o “estado não tinha mais condições de arcar com as despesas”.
Esse tipo de reclamação é feito frequentemente por uma boa parte das testemunhas de crimes em todo o país, que acabam deixando o programa de proteção por causa da falta de recursos para mantê-las em condições dignas.
Em entrevista ao Bom Dia Brasil, a promotora Renata Bressan, coordenadora do programa de proteção a testemunhas do Rio de Janeiro, ressaltou que “o programa é 100% bem sucedido na sua proposta, que é de prover segurança a vítimas e testemunhas ameaçadas”. Embora reconheça que o sistema precisa de ajustes, a promotora rebate as críticas de precariedade dos abrigos oferecidos às testemunhas e diz que muitas pessoas abandonam o programa por causa da rigidez das normas.
A PAZ SOCIAL É O NOSSO OBJETIVO. ACORDAR O BRASIL É A NOSSA LUTA.
"Uma nação perdida não é a que perdeu um governante, mas a que perdeu a LEI."
Revelamos aqui as causas e efeitos da insegurança pública e jurídica no Brasil, propondo uma ampla mobilização na defesa da liberdade, democracia, federalismo, moralidade, probidade, civismo, cidadania e supremacia do interesse público, exigindo uma Constituição enxuta; Leis rigorosas; Segurança jurídica e judiciária; Justiça coativa; Reforma política, Zelo do erário; Execução penal digna; Poderes harmônicos e comprometidos; e Sistema de Justiça Criminal eficiente na preservação da Ordem Pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio.
quarta-feira, 6 de abril de 2011
terça-feira, 5 de abril de 2011
UM GRANDE PRIMEIRO PASSO
As retomadas da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, foram apenas o primeiro passo de uma reação necessária e tardia, mas estão marcadas por simbolismos fundamentais às próximas etapas que terão de ser vencidas pelo poder público.
Pela primeira vez, a ação conta com aval irrestrito da população, principalmente das próprias comunidades, que sentiram respaldo, venceram o medo e quebraram o silêncio.
As instituições, por sua vez, abandonaram a inércia e medidas paliativas, se uniram e estão mostrando ao Rio, ao país e ao mundo que, com uma atuação conjunta e deixando as vaidades de lado, é possível combater e desestruturar esquemas de tráfico e milícias, que por anos mantiveram comunidades inteiras como reféns.
Outro fato a ser comemorado é que a ação está tendo como regra a cautela, para preservar inocentes, e a ausência de revanchismos, que poderiam ter como resultado uma verdadeira carnificina.
O caminho a ser percorrido é longo, mas, aos poucos, as comunidades são libertadas, as instituições assumem seu papel e sua responsabilidade e as polícias retomam sua credibilidade.
Taline Oppitz - correio do povo/rs - 29/11/2010 15:40
COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Inserido agora para que o Estado não esqueça que se trata apenas do primeiro passo. E os próximos passos, quando serão dados?
Pela primeira vez, a ação conta com aval irrestrito da população, principalmente das próprias comunidades, que sentiram respaldo, venceram o medo e quebraram o silêncio.
As instituições, por sua vez, abandonaram a inércia e medidas paliativas, se uniram e estão mostrando ao Rio, ao país e ao mundo que, com uma atuação conjunta e deixando as vaidades de lado, é possível combater e desestruturar esquemas de tráfico e milícias, que por anos mantiveram comunidades inteiras como reféns.
Outro fato a ser comemorado é que a ação está tendo como regra a cautela, para preservar inocentes, e a ausência de revanchismos, que poderiam ter como resultado uma verdadeira carnificina.
O caminho a ser percorrido é longo, mas, aos poucos, as comunidades são libertadas, as instituições assumem seu papel e sua responsabilidade e as polícias retomam sua credibilidade.
Taline Oppitz - correio do povo/rs - 29/11/2010 15:40
COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Inserido agora para que o Estado não esqueça que se trata apenas do primeiro passo. E os próximos passos, quando serão dados?
segunda-feira, 4 de abril de 2011
BRASIL, UM PORTO PARA BANDIDOS ESTRANGEIROS

BRAÇO DA INTERPOL. Brasil bate seu recorde de estrangeiros capturados. Em 2010, 65 procurados pela polícia internacional foram localizados e presos pela Polícia Federal - ZERO HORA 04/04/2011
O Brasil atingiu, em 2010, seu recorde nas detenções de procurados pela Interpol (polícia internacional, que tem 188 países-membros). Houve a localização de 65 criminosos procurados no mundo inteiro. O acordo entre o Brasil e a Interpol vigora desde 1962 – em 49 anos, portanto, nunca criminosos escondidos no Brasil foral localizados com tanta frequência pela Polícia Federal (PF).
Odelegado federal Luiz Eduardo Pereira, responsável pelo setor na PF, considera o aumento no número de prisões um reflexo da maior qualidade nas buscas. Pereira descarta a possibilidade de haver mais suspeitos no Brasil, o que levaria, naturalmente, a mais prisões – muitos dos presos estavam morando fazia anos no país. Até por isso, o delegado assegura que o que ocorre é, efetivamente, mais eficiência, que ele atribui à sintonia entre diferentes órgãos:
– O aumento do número de presos no Brasil se deve principalmente à mudança na forma de trabalho das instituições voltadas à persecução criminal internacional. A parceria mais estreita entre os órgãos envolvidos (polícias, Ministério da Justiça, Ministério das Relações Exteriores e Supremo Tribunal Federal) nos deu maior agilidade e rapidez para obter os mandados de prisão para fins de extradição.
Na comparação com 2009, o número de presos em 2010 é quase o dobro: haviam sido apenas 34 no ano passado.
Em 2011, por exemplo, já foi presa gente como o italiano Francesco Salzano, acusado de chefiar um dos ramos da Camorra, a máfia napolitana. Salzano foi localizado e detido em 11 de fevereiro, em Fortaleza. Depois, teve a prisão decretada pela Justiça de Nápoles por envolvimento em assassinatos de três pessoas, todos prováveis acerto de contas entre mafiosos. Em janeiro, um sérvio condenado pela prática de latrocínio (roubo seguido de morte) foi detido em Santos – ele vivia com a mulher e a filha usando um nome falso, trabalhou em vários locais e até comprou um restaurante em seu nome.
Outro criminoso que integrou o topo da lista da Interpol e foi localizado no Brasil é o megatraficante colombiano Juan Carlos Abadía, acusado de tráfico de drogas e mais de 300 homicídios. Sua prisão ocorreu em 2007, em São Paulo. Depois, em uma busca, a PF localizou e apreendeu R$ 3 milhões de Abadía, em espécie, na sua casa de Florianópolis.
Como funciona - A Interpol emite os seguintes alertas, para os 188 países-membros:
- O alerta no Canal Difusão Vermelha comunica sobre um suspeito procurado mundo afora.
- O alerta no Canal Difusão Amarela serve para informar e localizar pessoas desaparecidas.
- O alerta no Canal Difusão Negra tem como objetivo a identificação de cadáveres.
* São colocados, no canal, de acesso imediato aos países, nome, impressão digital e outros dados do procurado. O alerta chega à PF no sistema de internet chamado I 24-7 (Internacional, 24 horas e sete dias semanais), controlado pela secretaria da Interpol.
SEM LIMITES - VANDALISMO, DROGAS E SEXO A CÉU ABERTO

SEM LIMITES. Vandalismo, drogas e sexo a céu aberto - GUSTAVO AZEVEDO E MARCELO GONZATTO, ZERO HORA 04/03/2011
Duas quadras de uma tradicional rua da Capital, a Lima e Silva, se transformam aos domingos em território sem lei para jovens que ignoram as normas de convívio e infernizam moradores.
Cenas de bebedeira, brigas, gritarias e sexo em via pública modificaram a Cidade Baixa, um dos mais tradicionais bairros de Porto Alegre. Inconformados com o vandalismo que se repete a cada domingo, moradores e comerciantes estão tendo de adaptar sua rotina e seu trabalho. As autoridades, até o momento, não conseguiram solucionar as confusões, que ocorrem especialmente em um trecho de duas quadras da Rua Lima e Silva.
Ao entardecer, jovens migram em bandos desde o Parque da Redenção, ponto de encontro, até a Lima e Silva. Famílias se trancam em casa, donos de bares e restaurantes fecham as portas. Até banheiros de estabelecimentos comerciais são desativados, para que não se transformem em motéis improvisados. Alguns moradores, porém, desistiram de conviver com as arruaças. Trocaram de domicílio.
Quem ficou está enfrentando os transtornos. Uma empresária de 27 anos que reside nos arredores do supermercado Zaffari, onde se concentra a maior parte dos frequentadores dominicais, diz que já foi agredida e teve o carro depredado. No ano passado, quando atravessava a rua, foi assediada por um rapaz bêbado. Tentou seguir adiante, mas teve o braço segurado à força pelo jovem. No esforço para se desvencilhar, acabou arranhada.
Depois desse episódio, um dos espelhos retrovisores do carro da empresária foi danificado, quando estacionado ao ar livre. No domingo seguinte, alguém terminou o serviço e quebrou o retrovisor. Nada está a salvo. Um funcionário do Zaffari conta que os banheiros do supermercado se tornaram espaço para sexo entre adolescentes e jovens, sempre aos domingos. Clientes desavisados que tentavam utilizar as instalações deparavam com cenas explícitas e fugiam, espantados. Agora, os banheiros são trancados a cada domingo em uma tentativa de conter os abusos.
Para o zelador Vilmar Carvalho, 76 anos, a manhã de segunda-feira costuma ser pesada. Logo depois de amanhecer, ele precisa limpar a calçada do prédio onde trabalha, na Lima e Silva, dos dejetos deixados na noite anterior. Urina, vômito e cacos de garrafa são os indícios mais comuns da balbúrdia.
O xixi em público tornou-se um tormento. Há pouco mais de um ano, um comerciante de 45 anos teve de substituir o portão de seu estabelecimento. A urina estava corroendo o metal do pórtico. Ultimamente, aos domingos, o comerciante se dedica a vigiar a calçada e abrir o portão periodicamente, para inibir o mictório. Ele e a mulher, também de 45 anos, já depararam com fezes humanas nas calçadas e o consumo de cocaína a céu aberto.
Como resultado do ambiente inseguro, o casal opta por se fechar em casa a partir do meio da tarde de domingo. Eventualmente, ao voltar de um passeio ou de uma viagem, evita circular pela Lima e Silva para acessar a residência. No ano passado, os dois viram um motorista ser agredido porque buzinou pedindo passagem a jovens que fechavam a via. A resposta dos órgãos de segurança tem sido insuficiente. Ontem à noite, a Brigada Militar apreendeu dois adolescentes que vendiam bebida para outros.
Comerciantes contabilizam prejuízos. Proprietário do restaurante Quilograma, Ademar Martini mudou o horário de funcionamento de seu negócio. Há mais de um ano, já havia desistido de abrir nas noites de domingo. Mais recentemente, decidiu fechar nas demais noites da semana também. A expectativa de lucro não compensava a incomodação.
Dono de uma livraria localizada no atual epicentro das baladas dominicais, Sérgio Planella, 62 anos, também resolveu fechar sua loja ao entardecer. Morador há mais de quatro décadas na Cidade Baixa, não aguentou os tumultos, o vandalismo e a insegurança. Segue vendendo livros na área conflagrada, mas hoje mora no bairro Santana.
Um dos resistentes é Jacir Carlos Loss, que abre seu bar nos domingos à noite, apesar de já ter perdido metade da clientela, que não consegue chegar ao estabelecimento ou teme pela segurança.
SUJEIRA E DEGRADAÇÃO
"Toda segunda é a mesma coisa. Eu já desço com um balde para limpar toda a imundície que fica." Vilmar Carvalho, 76 anos, zelador de prédio
"No domingo, nem adianta abrir porque os clientes ficam com medo de aparecer. O perfil do bairro mudou muito. Há muito agarramento, correria..."
Sérgio Planella, comerciante
SEXO NOS BANHEIROS
"Os banheiros do supermercado se transformavam em espaço para sexo aos domingos. Clientes deparavam com cenas explícitas e fugiam, espantados. Hoje os banheiros são trancados aos domingos. A confusão continua lá fora, mas aqui dentro diminuiu bastante." Funcionário de supermercado
"Entravam em grupos de 10 no banheiro para fazer sei lá o quê. Não adiantava botar segurança na porta, então passei a fechar logo depois do almoço. Não penso mais em reabrir à noite." Ademar Martini, comerciante
DROGAS E AGRESSÕES
"O pessoal usa o parapeito das janelas das casas para fazer as linhas de cocaína e cheirar ali mesmo. Eles trancam a rua, e, se a gente buzina, ficam muito irritados. Chegam a dar chutes e socos no carro. Por isso, preferimos ficar em casa." Casal que reside e tem comércio na região
"No ano passado, quando atravessava a rua, fui assediada por um rapaz bêbado. Tentei seguir adiante, mas tive o braço segurado à força pelo jovem. Tentei me desvencilhar, e acabei sofrendo vários arranhões. Ele estava completamente drogado. Me puxava para ele, eu puxava para trás. Cheguei em casa me sentindo suja." Empresária de 27 anos, moradora da região
ZH preserva a imagem dos jovens flagrados pois o propósito desta reportagem não é expor situações individuais, e sim abordar um problema coletivo que afeta moradores e comerciantes da região
Origem do conflito
- Em 2005, a Lima e Silva já era alvo de polêmica envolvendo vandalismo, consumo de álcool entre adolescentes e atos obscenos a céu aberto.
- Naquele ano, o público se concentrava no Centro Comercial Nova Olaria, provocando conflitos com lojistas e moradores da região, que reclamavam das frequentes transgressões.
- A concentração de gays e lésbicas gerou polêmica sobre homofobia e discriminação social na época.
- Com o fechamento de alguns estabelecimentos aos domingos, os jovens migraram para a esquina seguinte.
- Hoje, ficam reunidos em frente ao supermercado Zaffari da Lima e Silva e na esquina da Luiz Afonso.
domingo, 3 de abril de 2011
O PLÁGIO E O CORPORATIVISMO
Recentemente, um caso de plágio em uma tese de doutorado escrita na Alemanha circulou no mundo. Fosse outro o personagem central da controvérsia, essa notícia teria, talvez, ficado restrita aos meios acadêmicos. Só que, de fato, o autor da tese não é uma pessoa comum: político influente, jovem, de ascendência nobre, que além de ter se tornado, então com 37 anos, o mais jovem ministro da Economia na Alemanha, emprestando uma espécie de glamour à política, exerceu, até a eclosão do caso, as difíceis tarefas de ministro da Defesa e, diga-se de passagem, com considerável reconhecimento da sociedade. Contudo, essa notoriedade começou a ruir por ocasião da descoberta de que sua tese, aprovada com nota máxima, fora resultado de plágio.
Pressionado pela imprensa, não negou o fato. Suas justificativas acabaram não convencendo. E, quando viu que a repercussão era maior do que esperava, prontificou-se a abrir mão do título de doutor. E é justamente aí que começa a relação com o Brasil. A universidade, após rápida e eficiente constatação dos fatos, deixou claro que não se tratava de renunciar ou de abrir mão do título. A instituição, na condição de outorgante, é que tinha a missão de cassá-lo. E de fato o fez, sem apego a corporativismos. Mas as repercussões não pararam por aí. Passou-se a questionar até que ponto o ministro tinha condições morais de permanecer no cargo. A chefe de governo, inicialmente, ponderou que eventual deslize do ministro não comprometeria o seu trabalho, até então tido como satisfatório. Todavia, a comunidade acadêmica alemã, por meio de mais de 20 mil pesquisadores, remeteu uma carta aberta à chanceler, sustentando que relevar a conduta de seu ministro acabaria por trazer prejuízos consideráveis à credibilidade do sistema de pesquisa da Alemanha. Tamanha é a seriedade com que o tema é tratado naquele país, que o barão, após submeter-se a dias de crítica generalizada, renunciou não apenas ao seu cargo de ministro, como também ao seu mandato parlamentar. E sob a seguinte frase: “Eu atingi o limite das minhas forças”.
Que relação se pode fazer desse episódio com o Brasil? Na Alemanha, as instituições não deixaram espaço ao corporativismo, tampouco a opinião pública geral o fez. Havia mais do que um nome a ser zelado, pois se tratava da credibilidade de todo um sistema. No Brasil, ao contrário, cada vez mais raros são os casos em que instituições afastam, de forma categórica e eficiente, aqueles que praticam crimes. Trata-se de uma realidade que permeia não apenas a administração direta e indireta, como também as próprias entidades de classe. Aqui, o corporativismo ainda representa um grande óbice ao bom funcionamento das instituições. E, enquanto isso acontecer, dificilmente o Brasil entrará nos trilhos do crescimento que todos esperam. O exemplo alemão bem que poderia ser por nós plagiado.
MARCELO SCHENK DUQUE, PROFESSOR UNIVERSITÁRIO, DOUTOR EM DIREITO DO ESTADO - ZERO HORA 02/04/2011
COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Finalmente alguém aponta as maiores mazelas que contaminam de forma nociva os Poderes de Estado da República do Brasil. O corporativismo garante o compadrio, a troca de favores, as benevolências, a cegueira, as omissões e o desvio de finalidade e funções precípuas. É o corporativismo no Poder que impede a fiscalização um do outro para não se indispor, pois lá na frente um precisará do outro para garantir privilégios, salários elevados, processos morosos e decisões de acordo com a necessidade.
Pressionado pela imprensa, não negou o fato. Suas justificativas acabaram não convencendo. E, quando viu que a repercussão era maior do que esperava, prontificou-se a abrir mão do título de doutor. E é justamente aí que começa a relação com o Brasil. A universidade, após rápida e eficiente constatação dos fatos, deixou claro que não se tratava de renunciar ou de abrir mão do título. A instituição, na condição de outorgante, é que tinha a missão de cassá-lo. E de fato o fez, sem apego a corporativismos. Mas as repercussões não pararam por aí. Passou-se a questionar até que ponto o ministro tinha condições morais de permanecer no cargo. A chefe de governo, inicialmente, ponderou que eventual deslize do ministro não comprometeria o seu trabalho, até então tido como satisfatório. Todavia, a comunidade acadêmica alemã, por meio de mais de 20 mil pesquisadores, remeteu uma carta aberta à chanceler, sustentando que relevar a conduta de seu ministro acabaria por trazer prejuízos consideráveis à credibilidade do sistema de pesquisa da Alemanha. Tamanha é a seriedade com que o tema é tratado naquele país, que o barão, após submeter-se a dias de crítica generalizada, renunciou não apenas ao seu cargo de ministro, como também ao seu mandato parlamentar. E sob a seguinte frase: “Eu atingi o limite das minhas forças”.
Que relação se pode fazer desse episódio com o Brasil? Na Alemanha, as instituições não deixaram espaço ao corporativismo, tampouco a opinião pública geral o fez. Havia mais do que um nome a ser zelado, pois se tratava da credibilidade de todo um sistema. No Brasil, ao contrário, cada vez mais raros são os casos em que instituições afastam, de forma categórica e eficiente, aqueles que praticam crimes. Trata-se de uma realidade que permeia não apenas a administração direta e indireta, como também as próprias entidades de classe. Aqui, o corporativismo ainda representa um grande óbice ao bom funcionamento das instituições. E, enquanto isso acontecer, dificilmente o Brasil entrará nos trilhos do crescimento que todos esperam. O exemplo alemão bem que poderia ser por nós plagiado.
MARCELO SCHENK DUQUE, PROFESSOR UNIVERSITÁRIO, DOUTOR EM DIREITO DO ESTADO - ZERO HORA 02/04/2011
COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Finalmente alguém aponta as maiores mazelas que contaminam de forma nociva os Poderes de Estado da República do Brasil. O corporativismo garante o compadrio, a troca de favores, as benevolências, a cegueira, as omissões e o desvio de finalidade e funções precípuas. É o corporativismo no Poder que impede a fiscalização um do outro para não se indispor, pois lá na frente um precisará do outro para garantir privilégios, salários elevados, processos morosos e decisões de acordo com a necessidade.
PONTOS VULNERÁVEIS
Pesquisa de opinião pública encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) ao Ibope, divulgada ontem, não se limita a confirmar os elevados índices de aprovação do governo Dilma Rousseff e uma expectativa bastante positiva em relação aos seus resultados por parte da população. Um dos méritos do levantamento é o de demonstrar, primeiro, que a avaliação positiva pode ser constatada em relação a diversas áreas de atuação do governo, com ênfase no combate à fome e à pobreza e na área educacional. E, ao mesmo tempo, que três pontos em particular são mal avaliados, devendo merecer por isso atenção especial do setor público: saúde pública e excesso de cobrança de impostos, reprovados por 53%, e segurança pública, por 49% dos entrevistados.
A particularidade de os dois aspectos com pior avaliação num governo tão bem percebido pelos brasileiros de maneira geral terem registrado o mesmo percentual não pode ser vista como coincidência. Os mesmos contribuintes hoje inconformados com o excesso de impostos e taxas pagos sobre o que produzem, o que ganham e o que consomem possivelmente se mostrariam mais receptivos se pudessem contar com uma contrapartida equivalente em serviços públicos. A expectativa ocorre em diferentes áreas de atuação, mas particularmente naquelas das quais a faixa da população de menor renda depende exclusivamente do governo.
Certamente, para a maioria da população, não interessa se quem cobra imposto é a União, o Estado ou o município, se a responsabilidade sobre a saúde pública é compartilhada e se a segurança é uma atribuição do Estado. O que os brasileiros desejam é pagar impostos em volume correspondente ao que recebem do poder público sob a forma de serviços. E essa retribuição, vista sob qualquer ângulo, tem ficado muito aquém do que pagam. Na prática, quem mais sofre é justamente a parcela da sociedade financeiramente mais carente, pois não tem margem para se socorrer contratando planos privados de saúde ou segurança particular, por exemplo. A própria classe média, porém, sai prejudicada, pois frequentemente precisa recorrer a um esforço para bancar obrigações que o Estado não cumpre, incluindo nesse caso também a educação dos filhos.
Ao mesmo tempo em que comemora elevados índices de aprovação e uma expectativa extremamente favorável em relação ao futuro, o governo deveria se preocupar em garantir atenção especial a áreas carentes, como saúde e segurança.
Um salto de qualidade em relação a esses aspectos depende de recursos em volumes adequados, mas acima de tudo da disposição política de incluí-los como prioridade, com a união de esforços de todas as instâncias da federação e com a definição de metas objetivas a serem atingidas num período claramente definido.
EDITORIAL ZERO HORA 02/04/2011
A particularidade de os dois aspectos com pior avaliação num governo tão bem percebido pelos brasileiros de maneira geral terem registrado o mesmo percentual não pode ser vista como coincidência. Os mesmos contribuintes hoje inconformados com o excesso de impostos e taxas pagos sobre o que produzem, o que ganham e o que consomem possivelmente se mostrariam mais receptivos se pudessem contar com uma contrapartida equivalente em serviços públicos. A expectativa ocorre em diferentes áreas de atuação, mas particularmente naquelas das quais a faixa da população de menor renda depende exclusivamente do governo.
Certamente, para a maioria da população, não interessa se quem cobra imposto é a União, o Estado ou o município, se a responsabilidade sobre a saúde pública é compartilhada e se a segurança é uma atribuição do Estado. O que os brasileiros desejam é pagar impostos em volume correspondente ao que recebem do poder público sob a forma de serviços. E essa retribuição, vista sob qualquer ângulo, tem ficado muito aquém do que pagam. Na prática, quem mais sofre é justamente a parcela da sociedade financeiramente mais carente, pois não tem margem para se socorrer contratando planos privados de saúde ou segurança particular, por exemplo. A própria classe média, porém, sai prejudicada, pois frequentemente precisa recorrer a um esforço para bancar obrigações que o Estado não cumpre, incluindo nesse caso também a educação dos filhos.
Ao mesmo tempo em que comemora elevados índices de aprovação e uma expectativa extremamente favorável em relação ao futuro, o governo deveria se preocupar em garantir atenção especial a áreas carentes, como saúde e segurança.
Um salto de qualidade em relação a esses aspectos depende de recursos em volumes adequados, mas acima de tudo da disposição política de incluí-los como prioridade, com a união de esforços de todas as instâncias da federação e com a definição de metas objetivas a serem atingidas num período claramente definido.
EDITORIAL ZERO HORA 02/04/2011
A MÁFIA DO JOGO - INTIMIDANDO OS COMERCIANTES
CERCO A CAÇA-NÍQUEIS. Um golpe na Máfia dos Jogos. Suspeitos presos ontem seriam responsáveis por explorar atividades ilegais em dezenas de bares e intimidar os comerciantes - LETÍCIA BARBIERI E LETÍCIA MENDES, ZERO HORA 02/04/2011
Aterrorizado, um comerciante precisou reunir a família e seus pertences dentro de um caminhão e deixar São Leopoldo às pressas na tarde de ontem. Em janeiro, o irmão dele havia se suicidado por não suportar as ameaças da Máfia dos Jogos. Foi a morte dele que deu a partida para a investigação responsável pela prisão de seis suspeitos de integrar a quadrilha que intimidava proprietários e exploraria jogos ilegais em dezenas de estabelecimentos no Vale do Sinos e na Grande Porto Alegre.
Entre os detidos na primeira operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público no Estado, está Acácio Viganigo da Silva, 72 anos, por suspeita de extorsão, formação de quadrilha, exploração de jogos ilícitos e instigação ao suicídio. Ele é apontado por promotores como integrante da quadrilha que há três décadas estaria coagindo os donos dos estabelecimentos. Segundo o MP, o bando tinha negócios em pelo menos 98 bares, boates, bingos clandestinos e outros estabelecimentos em nove cidades. O órgão tenta calcular o dinheiro gerado pela exploração de ao menos 200 máquinas, mas acredita que até 40% da arrecadação ficava com os próprios comerciantes.
– Eles atuam com colete à prova de balas, carros blindados, armamento pesado e tudo monitorado por sistema de vigilância – detalha o promotor Eduardo Viegas.
Silva foi preso em sua fazenda, em Rio Pardo. Com ele, a polícia apreendeu três espingardas, uma pistola, R$ 112 mil, materiais de jogos do bicho, extratos de movimentações bancárias e computadores.
– Ele mandava no bicho, era o barão – define o promotor.
Em depoimento em Rio Pardo, Silva negou o envolvimento com os jogos.
– Ele disse que o dinheiro apreendido seria de seu trabalho como produtor rural e que as armas e veículos eram para segurança da propriedade – diz o delegado Anderson Faturi.
Na delegacia, o suspeito sentiu dores no peito e foi internado em hospital de Rio Pardo, mas deve ser transferido para instituição de São Leopoldo.
Em busca de sucessor
O Ministério Público suspeita que Acácio Viganigo da Silva estaria passando a atividade para a família. Entre os presos ontem em São Leopoldo, estão os sobrinhos dele: Roberto Leandro Cardoso e Rodrigo Luis Cardoso. Com os detidos foram recolhidos outros R$ 100 mil, máquinas caça-níqueis, ceduleiras, celulares, três revólveres, munições de uso restrito das Forças Armadas, um colete à prova de balas e equipamentos de informática.
Durante as buscas, a polícia localizou ainda um dos pontos onde a quadrilha faria o conserto das máquinas no bairro Santo André, em São Leopoldo. No local foram encontradas dezenas de máquinas desmontadas. Além disso, foi encontrado um quadro com as chaves de 98 estabelecimentos, onde estariam distribuídos equipamentos de jogos da quadrilha.
Antes da ação de ontem, o MP já havia feito uma operação-teste na semana passada. Nos locais onde policiais à paisana tinham inclusive feito apostas nas máquinas, não havia mais sinal de ilegalidade: a operação tinha vazado. O promotor fez nova estratégia e decretou sigilo total. Desta vez, obteve sucesso.
O ESQUEMA
Aliciamento - Segundo o MP, os aliciadores iriam até os pontos do comércio, considerados lucrativos, e sugeriam ao a instalação das máquinas. No caso do dono se negar, eles partiriam para as ameaças.
Dinheiro - A quadrilha teria pessoas responsáveis por fazer o recolhimento do dinheiro nos pontos. O MP acredita que esse recolhimento era feito diariamente. Entre 30% e 40% do valor arrecadado seria destinado aos comerciantes. Em alguns casos, o bando até pagaria o aluguel dos comerciantes.
Administração - A quadrilha contaria com o apoio de dois escritórios de contabilidade, onde seria feita a administração do dinheiro. O bando ainda teria responsáveis por fazer o gerenciamento, o reconhecimento de novos pontos para as máquinas e de fabricantes dos caça-níqueis.
Aterrorizado, um comerciante precisou reunir a família e seus pertences dentro de um caminhão e deixar São Leopoldo às pressas na tarde de ontem. Em janeiro, o irmão dele havia se suicidado por não suportar as ameaças da Máfia dos Jogos. Foi a morte dele que deu a partida para a investigação responsável pela prisão de seis suspeitos de integrar a quadrilha que intimidava proprietários e exploraria jogos ilegais em dezenas de estabelecimentos no Vale do Sinos e na Grande Porto Alegre.
Entre os detidos na primeira operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público no Estado, está Acácio Viganigo da Silva, 72 anos, por suspeita de extorsão, formação de quadrilha, exploração de jogos ilícitos e instigação ao suicídio. Ele é apontado por promotores como integrante da quadrilha que há três décadas estaria coagindo os donos dos estabelecimentos. Segundo o MP, o bando tinha negócios em pelo menos 98 bares, boates, bingos clandestinos e outros estabelecimentos em nove cidades. O órgão tenta calcular o dinheiro gerado pela exploração de ao menos 200 máquinas, mas acredita que até 40% da arrecadação ficava com os próprios comerciantes.
– Eles atuam com colete à prova de balas, carros blindados, armamento pesado e tudo monitorado por sistema de vigilância – detalha o promotor Eduardo Viegas.
Silva foi preso em sua fazenda, em Rio Pardo. Com ele, a polícia apreendeu três espingardas, uma pistola, R$ 112 mil, materiais de jogos do bicho, extratos de movimentações bancárias e computadores.
– Ele mandava no bicho, era o barão – define o promotor.
Em depoimento em Rio Pardo, Silva negou o envolvimento com os jogos.
– Ele disse que o dinheiro apreendido seria de seu trabalho como produtor rural e que as armas e veículos eram para segurança da propriedade – diz o delegado Anderson Faturi.
Na delegacia, o suspeito sentiu dores no peito e foi internado em hospital de Rio Pardo, mas deve ser transferido para instituição de São Leopoldo.
Em busca de sucessor
O Ministério Público suspeita que Acácio Viganigo da Silva estaria passando a atividade para a família. Entre os presos ontem em São Leopoldo, estão os sobrinhos dele: Roberto Leandro Cardoso e Rodrigo Luis Cardoso. Com os detidos foram recolhidos outros R$ 100 mil, máquinas caça-níqueis, ceduleiras, celulares, três revólveres, munições de uso restrito das Forças Armadas, um colete à prova de balas e equipamentos de informática.
Durante as buscas, a polícia localizou ainda um dos pontos onde a quadrilha faria o conserto das máquinas no bairro Santo André, em São Leopoldo. No local foram encontradas dezenas de máquinas desmontadas. Além disso, foi encontrado um quadro com as chaves de 98 estabelecimentos, onde estariam distribuídos equipamentos de jogos da quadrilha.
Antes da ação de ontem, o MP já havia feito uma operação-teste na semana passada. Nos locais onde policiais à paisana tinham inclusive feito apostas nas máquinas, não havia mais sinal de ilegalidade: a operação tinha vazado. O promotor fez nova estratégia e decretou sigilo total. Desta vez, obteve sucesso.
O ESQUEMA
Aliciamento - Segundo o MP, os aliciadores iriam até os pontos do comércio, considerados lucrativos, e sugeriam ao a instalação das máquinas. No caso do dono se negar, eles partiriam para as ameaças.
Dinheiro - A quadrilha teria pessoas responsáveis por fazer o recolhimento do dinheiro nos pontos. O MP acredita que esse recolhimento era feito diariamente. Entre 30% e 40% do valor arrecadado seria destinado aos comerciantes. Em alguns casos, o bando até pagaria o aluguel dos comerciantes.
Administração - A quadrilha contaria com o apoio de dois escritórios de contabilidade, onde seria feita a administração do dinheiro. O bando ainda teria responsáveis por fazer o gerenciamento, o reconhecimento de novos pontos para as máquinas e de fabricantes dos caça-níqueis.
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