Revelamos aqui as causas e efeitos da insegurança pública e jurídica no Brasil, propondo uma ampla mobilização na defesa da liberdade, democracia, federalismo, moralidade, probidade, civismo, cidadania e supremacia do interesse público, exigindo uma Constituição enxuta; Leis rigorosas; Segurança jurídica e judiciária; Justiça coativa; Reforma política, Zelo do erário; Execução penal digna; Poderes harmônicos e comprometidos; e Sistema de Justiça Criminal eficiente na preservação da Ordem Pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

A GUERRA DO RIO - PRISÃO PARA ADVOGADOS DO TRÁFICO

Ataques no Rio. Decretada prisão de advogados de traficantes - Por Marina Ito, Consultor Jurídico. 26/11/2010

“Decretar a prisão destes investigados é o único e eficaz meio de dar a sociedade dias melhores e um horizonte de paz.” A conclusão é do juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira, da 1ª Vara Criminal de Bangu, ao decretar a prisão preventiva de três advogados, acusados de envolvimento nos ataques atribuídos a traficantes que aterrorizam o Rio de Janeiro desde o último domingo. Ele determinou ainda que a namorada do traficante Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, e os demais sejam transferidos para um presídio de segurança máxima.

A ordem atinge Beatriz da Silva Costa de Souza, Flávia Pinheiro Fróes e Luiz Fernando da Costa, que segundo o juiz, são os advogados dos presos Marcinho VP e de Elias Pereira da Silva, o Elias maluco, considerados chefes do tráfico no Rio e os autores das ordens dos ataques a veículos, policiais e edifícios. De acordo com o juiz, os advogados "periodicamente se uniram a eles [Marcinho VP e Elias Maluco] na penitenciária e, através das entrevistas sigilosas, por força de suas profissões, receberam ordens transmitidas por bilhetes e outros escritos, como também no decorrer de suas entrevistas, verbalmente".

Ainda segundo o juiz os dois traficantes, que estavam presos na penitenciária federal de Catanduvas (PR), transmitiam aos advogados, que tinham livre acesso ao presídio, "todas as ordens aos demais membros das quadrilhas, motivo pelo qual se viabilizaram as ações de cunho violento, que causaram terror, temor e insegurança aos cidadãos fluminenses".

Marcinho VP e Elias Maluco também tiveram visitas íntimas suspensas pelo juiz “até o melhor esclarecimentos dos fatos ora apurados, até porque nas investigações existem indícios de que a indiciada Beatriz mantinha relacionamento amoroso com Marcinho VP e, utilizando-se deste tipo de vínculo sentimental recebia as ‘ordens’ repassadas posteriormente aos demais”.

Segundo o juiz, estão presentes os requisitos que autorizam a prisão preventiva, tanto a chamada fumaça do bom direito, quanto o perigo na demora. Para o juiz, é necessário resguardar o bem estar de eventuais vítimas ou testemunhas e garantir a ordem pública.

“No que tange ao periculum in mora, temos que este é evidenciado na medida em que somente com a prisão dos denunciados é que se garantirá a eventual aplicação da Lei Penal, bem como a garantia da ordem pública, evitando-se a reiteração criminosa destes agentes”, escreveu.

Na decisão, o juiz incluiu a manifestação do Ministério Público, que pediu a prisão dos acusados. “Quem, em sã consciência, pode se atrever a dizer que a ordem pública não está profundamente abalada, irresignada e ansiosa por resposta eficaz, inteligente e concreta contra aquele ‘exército criminoso’ agressivamente armado ontem filmado?”, diz.

Segundo o MP, os traficantes Marcinho VP e Elias Maluco, que também foram incluídos na ação, começaram a empregar outras estratégias de comunicação, já que estão em presídios federais fora do estado do Rio e impossibilitados de usar telefones. Também disse que a ação policial superou as expectativas. “Chegada à hora do Judiciário não se pode imaginar nada diferente, especialmente no Rio de Janeiro, onde todas as iniciativas do nosso Tribunal têm sido aplaudidas pelo país afora!”, completou.

Alexandre Teixeira escreveu que “a materialidade do tipo imputado ao denunciado encontra-se nas peças que instruem a presente, notadamente na representação da Ínclita Presentante do Parquet (fls. 02/06), a qual torno parte integrante da presente decisão por seus reais e legais fundamentos”.

O presidente da OAB do Rio, Wadih Damous, afirmou à revista ConJur que se as acusações forem comprovadas, os advogados serão punidos. “Não recebi nenhum comunicado oficial, mas se for verdade, será aberto procedimento e, se for constatado as atitudes ilícitas, eles serão suspensos liminarmente e responderão pelos seus atos”, disse.

No mesmo sentido se manifestou o presidente do Conselho Federal da OAB, Ophir Cavalcante. Se for confirmada a contribuição dos advogados com as ações, disse, os advogados devem responder pelos seus atos. "Nesse sentido, a Ordem dos Advogados do Brasil não transige: se advogado utiliza sua condição para conduzir droga, arma ou telefone celular para o interior da prisão, ou serve de 'pombo-correio', deve ser denunciado e punido. Quem faz isso é bandido, não é advogado", disse. Ophir afirmou, ainda, que a OAB já demonstrou, em inúmeras ocasiões, "o que acontece quando o advogado rompe a linha da ética profissional: excluído dos quadros da entidade, consequentemente ele perde o direito de advogar".

Sem comentar o caso concreto e o mérito da decisão, o criminalista Marcio Barandier afirmou à ConJur que as limitações de visitas íntimas podem ser determinadas e que elas não abrangem o contato do preso com o advogado. Isso deve ser em relação a familiares, disse, já que o advogado mantém contato profissional com o cliente. Outro ponto para o qual o criminalista chamou a atenção é de que advogados têm direito, previsto no Estatuto da OAB, de serem recolhidos em sala de estado maior.

Em relação suspensão da visita íntima, o criminalista Fernando Fragoso também explicou que o direito a visita está previsto no inciso X do artigo 41 da Lei de Execução Penal. "Como qualquer direito de presos, cumprindo pena em estabelecimento penal, sob regime fechado ou semi-aberto, pode perfeitamente ser suspenso na hipótese de infração disciplinar ou prática de crime. De modo que, por meio de decisão plenamente fundamentada, como exige a Constituição Federal, este e outros direitos previstos na Lei das Execuções Penais, podem perfeitamente sofrer interrupção e suspensão", disse.

D E C I S Ã O - Vistos etc.,

I - Inicialmente dou-me por competente para processar e julgar estes fatos porque alguns dos envolvidos (muito embora hoje afastados para outro Estado da Federação) já eram alvo de investigação dos Órgãos atrelados ao Ministério Público com atribuição nesta Regional justamente porque iniciaram as práticas criminosas no Complexo Prisional de Bangu (Gericinó), mantendo até a presente data contatos com muitos dos integrantes destes presídios em razão da fidelidade para com as respectivas facções. Ademais, o crime de associação para fins de tráfico é de natureza permanente; logo, incide no caso concreto, em razão da pluralidade e da dúvida em torno dos locais exatos onde todos os crimes estão se perfazendo, a regra do § 3º, do Art. 70 c/c Art. 71, ambos do Código de Processo Penal.

II - Autue-se. Notifique-se os denunciados para em 10 dias, oferecerem, defesa escrita (Art. 55 da Lei 11.343/06), por advogado que venham a constituir, ficando cientes que o não oferecimento da defesa no prazo implicará na nomeação da DPGE para o patrocínio dos seus interesses processuais;

III - No ato da citação deverão os Acusados indicar se pretendem ser assistidos por Advogado constituído ou por Defensor Público; encaminhando-se, neste último caso, os mesmos para entrevista pessoal com a DPGE, observados os prazos estipulados na Lei.

IV - Com a juntada das Defesas previstas no item I da presente Decisão, venham os autos conclusos para decisão.

V - Atenda-se ao MP em sua cota da denúncia com urgência. Do Pedido de Prisão Preventiva: O Ministério Público, através do órgão de atuação requer a decretação da prisão preventiva dos seguintes denunciados: Beatriz da Silva Costa de Souza, Flavia Pinheiro Fróes, Luiz Fernando Costa, Marcio Santos Nepomuceno, vulgo ´Marcinho VP´, Elias Pereira da Silva, vulgo ´Elias Maluco´, qualificados nos autos, em razão dos fatos e fundamentos a seguir transcritos: ´Os denunciados ´MARCINHO VP´ e ´ELIAS MALUCO´, transferidos do Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, Rio de Janeiro para a Penitenciaria Federal localizada em Catanduvas, Estado do Paraná, em comunhão de desígnios entre si, com o firme propósito de garantirem a continuidade de suas atividades criminosas, dentre elas o a soberania e domínio na comercialização de substâncias entorpecentes e aquisição e venda de armamentos, articularam, planejaram e controlaram atos de barbáries que vem sendo praticados na cidade do Rio de Janeiro. Mesmo presos em unidade de segurança máxima, os denunciados ´ELIAS MALUCO´ e ´MARCINHO VP´ contaram com a participação e colaboração ativa dos denunciados BEATRIZ DA SILVA COSTA DE SOUZA, FLAVIA PINHEIRO FRÓES e LUIZ FERNANDO COSTA, todos advogados, que periodicamente se uniram a eles na penitenciária e, através das entrevistas sigilosas, por força de suas profissões, receberam ordens transmitidas por bilhetes e outros escritos, como também no decorrer de suas entrevistas, verbalmente. Os denunciados ELIAS E MÁRCIO transmitiram aos demais denunciados BEATRIZ, FLAVIA e LUIZ FERNANDO que possuíam livre acesso nas dependências da penitenciária de Catanduvas/PR, e estes quando de seus regressos ao Rio de Janeiro, se encarregaram de transmitir todas as ordens aos demais membros das quadrilhas, motivo pelo qual se viabilizaram as ações de cunho violento, que causaram terror, temor e insegurança aos cidadãos fluminenses. ´ELIAS MALUCO´ e ´MARCINHO VP´, por meio dos atos de barbáries, visaram inibir as ações das autoridades responsáveis pela Segurança Publica do Rio de Janeiro que iniciaram a execução de projetos para o reforço e aperfeiçoamento das atividades policiais em várias localidades dominadas pelo crime organizado. Os denunciados MÁRCIO NEPOMUCENO e ELIAS notoriamente conhecidos como lideres das comunidades conhecidas por ´VILA DOS PINHEIROS e PENHA´ e ´COMPLEXO DO ALEMAO´, respectivamente, incitaram e ´determinaram´ TODO CONTINGENTE DE MARGINAIS pertencentes às suas quadrilhas, e outros traficantes que integram a autodenominada organização criminosa ´COMANDO VERMELHO´, para darem início a ações de caráter criminoso, práticas de violência contra os cidadãos materializadas em verdadeiros atos de barbarismo, de forma pontual, para provocarem desestabilização nas operações policiais, que incluíram confronto direto com autoridades da segurança pública. Os portadores e interlocutores na divulgação das ordens exaradas do interior da penitenciária federal foram os denunciados BEATRIZ DA SILVA, FLAVIA PINHEIRO FROES e LUIZ FERNANDO COSTA, este ultimo ´Presidente da Associação de Moradores da comunidade de ´NOVA BRASILIA´ localizada no ´COMPLEXO DO ALEMAO´. Os três denunciados citados, agindo de forma livre e consciente, com desrespeito às normas estabelecidas nos incisos XXVII e XXVIII da Lei 8906/94 (Estatuto da OAB), aderiram, de forma direta e ativamente na empreitada criminosa, repassando aos demais membros todas as determinações, e se transformaram em portadores e intermediários entre os traficantes presos e demais criminosos em liberdade, pertencentes ao grupo criminoso capitaneado por ELIAS e MARCINHO VP. As ações criminosas determinadas através de bilhetes e/ou recados transmitidos, viabilizaram a pratica dos crimes bárbaros assistidos a partir de 20 de novembro de 2010 pela sociedade fluminense, e a implementação da logística necessária aos ´ataques´ que foram vivenciados pela população, amplamente divulgados pelos meios de informação, incluindo a imprensa internacional. As ações criminosas determinadas evoluíram para, finalmente, nos dias 24 e 25 de novembro, os denunciados transformarem o Rio de Janeiro em um cenário de violência sem limites, eis que a intensa atuação dos marginais aliados, acarretou graves confrontos diretos entre agentes de segurança publica e os membros da quadrilha dos denunciados ´ELIAS MALUCO´ e ´MARCINHO VP´. Os marginais se utilizaram de material explosivo direcionado a mortes de populares, posto que incendiaram coletivos, veículos de transporte de cargas, carros particulares e estabelecimentos comerciais. A associação criminosa dos denunciados atua de forma estruturada, com divisão de funções e evidente intenção de permanência e estabilidade, ressaltando-se o emprego de forte armamento, que inclui a utilização de granadas destinadas ao uso bélico, estando, por conseguinte, aptos a confrontos, seja com a policia ou com marginais que porventura ameacem interferir nas atividades nefastas do trafico, e para tanto cometem crimes de homicídios e demais delitos correlacionados a atividade fim. Os denunciados ´ELIAS MALUCO´ e ´MARCINHO VP´ administram suas atividades ilícitas do interior da penitenciaria federal, e se valem da atuação e colaboração dos advogados ora denunciados para viabilizarem seus atos de barbarismo. As ações conjuntas dos denunciados acarretou um grande número de mortos e feridos, de populares que se encontravam no interior de veículos particulares e coletivos, e de forma covarde foram alvos de frascos que continham substância inflamável, lançados contra os veículos em inequívoca intenção de causarem morte de pessoas inocentes. Assim agindo, estão os denunciados incursos nas penas do artigo 35 da Lei 11343/2006, sendo que os denunciados BEATRIZ, FLAVIA e LUIZ ANTONIO estão ainda incursos nas penas do artigo 37 também da Lei 11343/2006, em concurso material, na forma do artigo 69 do Código Penal.´ (denúncia de fls. 02-A/02-E). Presentes estão os requisitos autorizadores da extremada medida, porquanto verificados o fumus boni iuris, como acima demonstrado e o periculum in mora, este com fulcro na necessidade de se resguardar o bem estar de eventuais as vítimas e/ou testemunhas, assim como garantir a ordem pública. Da Ofensa a Garantia da Ordem Pública: Para o dicionarista De Plácido e Silva, Ordem Pública define-se como: ´A situação e/ou estado de legalidade normal, em que as autoridades exercem suas precípuas atribuições e os cidadãos as respeitam e acatam, sem constrangimento ou protestos´. Ordem pública, portanto, é o estado de paz social, de tranqüilidade normal, desejada e buscada por toda a sociedade. Abalando-se esta paz social, estar-se-á violando a ordem pública, o que autoriza o decreto da preventiva. Qualquer cidadão mediano neste País viu estupefato o que ocorreu ontem nas comunidades dominadas pelo Crime Organizado. A mídia nos prestou relevante papel audiogravando todos os incidentes criminosos em tempo real (veja-se para tanto as reportagens de fls. 23/28). Pois bem! Quem, em sã consciência, pode se atrever a dizer que a ordem pública não está profundamente abalada, irresignada e ansiosa por resposta eficaz, inteligente e concreta contra aquele ´exército criminoso´ agressivamente armado ontem filmado? A polícia está fazendo o seu trabalho. Aliás superou todas as expectativas e ganhou mimos da população, coisa nunca antes vista! Chegada à hora do Judiciário não se pode imaginar nada diferente, especialmente no Rio de Janeiro, onde todas as iniciativas do nosso Tribunal têm sido aplaudidas pelo país afora! No caso concreto os ´generais´ das facções criminosas foram banidos do Estado e, por tal motivo empregaram táticas de comunicação para fazer chegar aos seus ´soldados´ as ordens necessárias para desestabilizar a ação governamental de resgate desta cidade outrora definida como ´maravilhosa´. Como os presídios federais são distantes e as comunicações eletrônicas e/ou de telefonia se tornaram inviáveis e frágeis, os investigados alcunhados como ´Marcinho VP´ e ´Elias Maluco´ - primeiro e segundo denunciados, em tese, trataram de resgatar os velhos ´pombos-correios´ para fazer chegar aos demais integrantes das quadrilhas suas vontades anarquistas. Nesse contexto são, indiciariamente falando, arregimentados para os ´trabalhos´ os denunciados BEATRIZ, FLAVIA e LUIZ ANTONIO, trio de advogados que, em tese usurpando o altaneiro múnus público da advocacia, fazem chegar aos demais integrantes da quadrilha as ordens dos seus comandantes. Nesse momento saiu à advocacia - função pública merecedora de total respeito e credibilidade social - e deu lugar o mister criminoso; este merecedor de repressão imediata para resgatar a paz social, a dignidade dos dignos advogados e a segurança dos futuros eventos que se avizinham no País. As transcrições das conversas telefônicas mantidas entre os envolvidos nas últimas horas (fls. 20/22) demonstram, suficientemente para esta fase cautelar, que as ordens dos líderes desta horda são o agravamento maior da assombrosa situação pintada por seus ´soldados´ no Estado; eis a razão pela qual a segregação e isolamento instantâneo dos ora acautelados preventivamente se tornou imperiosa para dar fôlego as Autoridades Públicas na estruturação da política de tomada e pacificação dos locais onde a horda se refaz para os novos atos de terror. Não há mais espaço para recuo e omissão, pois como disse e reafirmo a garantia da ordem pública, a paz social e o bem estar da coletividade carioca estão profunda e ineditamente abalados. Nesse momento a excepcional medida cautelar de privação de liberdade dos denunciados se torna de essencial valia porque quebrará a cadeia de comando, ou seja, privará os ´soldados´ das diretrizes pretendidas pelas suas respectivas lideranças e, com isso, fragilizada restarão, pelo menos é nisso que se aposta, as futuras ações terroristas maquinadas por nossos algozes.
O fumus boni iuris calcado que está na prova da materialidade nos indícios suficientes de autoria, como referido antes. Não é demais dizer que a materialidade do tipo imputado ao denunciado encontram-se nas peças que instruem a presente, notadamente na representação da Ínclita Presentante do Parquet (fls. 02/06), a qual torno parte integrante da presente decisão por seus reais e legais fundamentos.
Por fim, no que tange ao periculum in mora, temos que este é evidenciado na medida em que somente com a prisão dos denunciados é que se garantirá a eventual aplicação da Lei Penal, bem como a garantia da ordem pública, evitando-se a reiteração criminosa destes agentes. Ademais, tal medida se mostra indispensável para o êxito da instrução processual. Estou convicto - é o que posso fazer como Juiz de Direito -, que decretar a prisão destes investigados é o único e eficaz meio de dar a sociedade dias melhores e um horizonte de paz.

Pelo fio do exposto, atendendo ao Ministério Público, DEFIRO o requerido e decreto a prisão preventiva de Beatriz da Silva Costa de Souza, Flavia Pinheiro Fróes, Luiz Fernando Costa, Marcio Santos Nepomuceno, vulgo ´Marcinho VP´, Elias Pereira da Silva, vulgo ´Elias Maluco´, qualificados nos autos, o que faço com fundamento nos artigos 311 e seguintes do CPP.

De ofício, determino o encaminhamento de cópias da presente decisão e dos autos a Presidência do TJRJ com urgência para se permitir a imediata transferência, o que DETERMINO ATRAVÉS DA PRESENTE, dos acusados para os Presídios de Segurança Máxima do País. Sem prejuízo da decisão externada no parágrafo anterior, oficie-se ao presídio onde os acusados ´Elias Maluco´ e ´Marcinho VP´ se encontram para DETERMINAR que ambos SEJAM PRIVADOS DE CONTATOS ÍNTIMOS até o melhor esclarecimentos dos fatos ora apurados, até porque nas investigações existem indícios de que a indiciada Beatriz mantinha relacionamento amoroso com Marcinho VP e, utilizando-se deste tipo de vínculo sentimental recebia as ´ordens´ repassadas posteriormente aos demais. Expeçam-se os competentes mandados de prisão e cumpram-se nas vias legais. Rio de Janeiro, 26 de Novembro de 2010. Alexandre Abrahão Dias Teixeira Juiz de Direito

Veja uma das conversas que levou advogados à prisão

Para a Justiça, em conversa telefônica transmitida nesta sexta-feira (27/11) pelo Jornal Nacional, da Rede Globo, as advogadas Flávia Pinheiro Fróes e Beatriz Costa de Souza falam sobre os últimos ataques ocorridos no Rio de Janeiro. A gravação serviu de base para que o juiz Alexandre Abraão decretasse, no mesmo dia, a prisão das duas e de Luis Fernando Costa, todos advogados dos traficantes Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, e Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco.

De acordo com ele, os três recebiam ordens por bilhetes e verbalmente. Depois, repassavam as informações para os demais membros das quadrilhas. O juiz acredita que a privação da liberdade dos advogados será capaz de quebrar a cadeia de comando.
O Ministério Público do Rio de Janeiro e o setor de inteligência do sistema penitenciário já monitoravam os advogados. Eles foram denunciados por tráfico e por colaborar como informantes da quadrilha. A Ordem dos Advogados do Brasil informou que vai abrir um processo disciplinar para investigar o caso.

Veja a conversa entre as duas advogadas:

Flávia: “É coisa do seu interesse mesmo, mas não posso falar por telefone não. Só pessoalmente”
Beatriz: “Pô, eu estava precisando falar contigo também. Você vai voltar pro Rio quando?”

Flávia: “Pois é, cara, é coisa muito séria, muito, muito, muito, muito séria”
Beatriz: “É o que está acontecendo?”

Flávia: “É. E eu já sei tudo, quem é, quem não é. E vai acontecer [sic] mais outras coisas que você não sabe”

BUNKER DO TRÁFICO - Casamata, fuzis e metralhadoras.30 e .50 e 300 kg de maconha.


Polícia encontra bunker do tráfico no Complexo do Alemão e casamata usada por bandidos na Vila Cruzeiro - O Globo, 30/11/2010 às 15h58m; Celia Costa e Vera Araújo

RIO - Policiais da 9ª DP (Catete) encontraram, na tarde desta terça-feira, um bunker do tráfico com pelo menos 300 quilos maconha, dezenas de fuzis e metralhadoras .30 e .50, capazes de derrubar helicópteros. Segundo o titular da delegacia, Alan Luxardo, o material estava dentro de sacos plásticos em toneis de plástico, a dois metros de profundidade, no local conhecido como Fazendinha, no Complexo do Alemão.

- Essa é uma prática usada pelas Farc, na Colômbia: esconder o material em buracos profundos. O material estava enterrado no chão de um barraco de madeira, em um dos lados mais altos do morro - explicou o delegado.

Já na Vila Cruzeiro, soldados do Batalhão de Operações Especiais (Bope) pretendem explodir nesta quarta-feira, às 10h30m, uma casamata usada por traficantes que fica em uma localidade conhecida como Quatro Bicas. A construção, que há alguns anos serviu de comércio, foi tomada por bandidos que construíram na parede buracos semelhantes as seteiras empregadas nos castelos erguidos no passado para proteger as edificações das invasões. Nesse caso, os buracos eram revestidos de cano pvc por onde os bandidos poderiam atirar contra a polícia com relativa proteção.

Nesse local, eles tinham uma visão privilegiada do principal acesso à Vila Cruzeiro. Mais cedo, os policiais do Bope destruíram parte da construção a marretadas. Mas como havia risco de desabamento caso algum veículo fosse empregado, eles optaram por explodí-lo.

DEFENSORIA - Complexo do Alemão ganha posto itinerante da Defensoria Pública do Rio de Janeiro - O Globo, 30/11/2010 às 16h33m - Elenilce Bottari

RIO - A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro instalou nesta terça-feira um posto itinerante para atendimento à população no Complexo do Alemão. O posto funcionará em um ônibus. ( Leia também: Força-tarefa de infraestrutura inicia reconstrução do Complexo do Alemão )

Segundo a defensora Darci Burlandir, o objetivo é levar cidadania aos moradores da comunidade. Entre os serviços que serão oferecidos no posto, estão segunda via de documentos e procurações. ( Fotogaleria: O dia de operação no Complexo do Alemão )

Moradores do complexo também poderão registrar queixas em casos de furtos e saques à residência. A Defensoria Pública oferece ainda auxílio jurídico à traficantes que queiram se render.

A GUERRA DO RIO - ENCONTRADO TÚNEL DE FUGA


Polícia encontra túnel de fuga e vai lançar gás no esgoto do Alemão. Estratégia é encontrar suspeitos que estejam tentando se enconder; drogas foram apreendidas em caminhão de lixo - 30/11/2010 - Gabriela Moreira, Priscila Trindade e Solange Spigliatti - O Estado de S.Paulo


RIO E SÃO PAULO - A Polícia Militar vai lançar bombas de gás lacrimogêneo dentro das galerias pluviais no conjunto de favelas do Alemão, na Penha, zona norte do Rio. A estratégia é fazer com que bandidos que porventura ainda estejam escondidos sejam obrigados a sair.

"Vamos fazer isso para ver se ainda há pessoas no local. Não chegamos a confirmar se bandidos tenham fugido desta forma", informou o chefe do Estado Maior da PM, coronel Álvaro Rodrigues Garcia. Segundo ele, após a liberação do gás, a PM vai pedir o fechamento de todas as entradas das galerias pluviais.

Logo após o anúncio, policiais civis encontraram, no início da tarde, um túnel da rede pluvial com 400 metros de comprimento no Complexo do Alemão. A escavação, com início na Rua Joaquim de Queiroz, em frente a uma creche, tem saída para à Rua Arapá. Moradores da comunidade informaram que traficantes teriam usado o túnel para fugir durante as operações policiais na região. Os agentes continuam no local a procura de armas e drogas.

Ontem, o delegado responsável pelas buscas na região, Fernando Veloso (14ª DP - Leblon), afirmou que criminosos utilizaram a rede de esgoto e as galerias de águas pluviais como rotas de fuga. "A prova disso é que, após uma informação de um morador, prendemos oito criminosos em uma tubulação de esgoto", disse.

O delegado também contou que criminosos roubaram uniformes de funcionários das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, e de concessionárias que atuam no conjunto de favelas, na Penha.

Fuga. No início desta manhã, foram apreendidas armas e drogas dentro de um caminhão da Comlurb, nas imediações do complexo. Os agentes abordaram o motorista do veículo, que disse ter sido obrigado por traficantes a retirar o material ilegal que estava na comunidade.

Foram apreendidos um fuzil 7.62 mm, munições para fuzil, carregadores para pistola calibre 380, dois radiotransmissores, um tablete de maconha e pequena quantidade de cocaína. O material está sendo apresentando na 22ª Delegacia de Polícia, na Penha.

Com as operações, o setor de inteligência da PM acredita que o Comando Vermelho (CV), facção que dominava o tráfico no complexo e Vila Cruzeiro, tenha tido um prejuízo aproximado de quase R$ 70 milhões, com apreensões de drogas e armas.

Balanço. A polícia prendeu hoje mais um suspeito durante operação no conjunto de favelas, além de deter 18 pessoas. Segundo balanço parcial divulgado até o meio-dia, foram apreendidos dois fuzis, uma submetralhadora MT12 9 milímetros, uma espingarda calibre 12, uma carabina Puma calibre 38, uma espada, dois carregadores de pistola, um carregador de fuzil Ruger e um carregador de fuzil calibre 556.

Também foram apreendidos 638 quilos de maconha e 205 trouxinhas da droga, três quilos de cocaína e 4.391 papelotes, além de 260 ampolas de lança-perfume. Segundo balanço da PM, 103 veículos foram incendiados desde domingo.


Bandidos fugiram do Alemão pelo esgoto e com uniformes do PAC, diz delegado. Ocupação por forças de segurança no complexo de favelas continua e casas e moradores são revistados. 29 de novembro de 2010 - Pedro Dantas - O Estado de S.Paulo (Com Rodrigo Burgarelli e Priscila Trindade)

RIO - O delegado titular da 14ª Delegacia de Polícia (Leblon), Fernando Veloso, que participa nesta segunda-feira, 29, das operações de busca a traficantes, drogas e armas no Complexo do Alemão, zona norte do Rio, afirmou que criminosos utilizaram a rede de esgoto e as galerias de águas pluviais como rotas de fuga. "A prova disso é que, após uma informação de um morador, prendemos oito criminosos em uma tubulação de esgoto na noite de ontem", disse.

O delegado também contou que criminosos roubaram uniformes de funcionários das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, e de concessionárias que atuam no conjunto de favelas, na Penha. A polícia ainda apreendeu, no início da tarde, três pistolas automáticas na Favela da Grota. Em outra localidade, um homem ainda não identificado foi preso.

Ontem, sete dias após o primeiro ataque da semana de terror no Rio, 2.700 homens das Polícias Civil, Militar e Federal e das Forças Armadas entraram no Complexo do Alemão. Não houve o combate que se esperava. Tampouco foram presos os chefes do tráfico da Vila Cruzeiro, Fabiano Atanazio, o FB, e do Alemão, Luciano Martiniano da Silva, o Pezão.

Rotina. Nesta segunda, os agentes do Exército continuam a revistar todos os moradores que entram e saem do complexo de favelas. Com clima calmo, o comércio reabriu e funciona normalmente. Os agentes encontram dificuldades em alguns pontos por causa de barricadas colocadas por traficantes em ruas e acessos. Ja Rua Joaquim Queiroz, na Favela da Grota, por exemplo, o asfalto foi danificado e há um vazamento de água, por onde carros não conseguem passar.

Funcionários de algumas obras do PAC também já voltaram ao trabalho, inclusive na contenção do vazamento no acesso ao Morro da Fazendinha. Em contraste com o clima de guerra, a Estrada de Itararé, antes tomada apenas por policiais, hoje tinha até congestionamento.

Em busca de drogas, policiais também estão vasculhando casas em busca de drogas e armamentos. Uma equipe de policiais do 1º BPM (Estácio) apreendeu em uma localidade conhecida como Zona do Medo, no alto do Morro da Fazendinha, seis fuzis, cinco granadas, quatro bombas de fabricação caseira e uma pistola. O armamento estava escondido sob folhas de bananeira.

Homens da Polícia Civil também apreenderam, na Rua Canitar, na Favela da Grota, 3 mil papelotes de cocaína e coletes a prova de balas. De acordo com os agentes, a droga estava próxima ao local onde eram realizados bailes funk patrocinados por traficantes de drogas.

Mas moradores reclamam da forma como os agentes trabalham e alguns, inclusive, falam de arrombamentos e saques. Um pedreiro de 47 anos saiu sábado às 17h de casa porque viu que a polícia ia invadir o morro, não queria ficar no meio do tiroteio e foi dormir na casa de um amigo.

Após a tomada do local pela polícia, ele resolveu voltar. Quando chegou em casa, viu que o local já tinha sido arrombada pela polícia e havia sumido seu computador. "Eles tinham que esperar o morador chegar antes de arrombar. Ainda estragaram minha porta de madeira novinha que eu tinha acabado de colocar", reclama.

Hospitais. Todas as unidades de saúde estão funcionando regularmente na cidade nesta segunda-feira, inclusive nas regiões da Penha e Complexo do Alemão. Nestas locais e em alguns bairros da zona oeste, unidades chegaram a ser fechadas nos últimos dias por questões de segurança. No Alemão, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), na Estrada do Itararé, atende normalmente os casos de urgência e emergência dos moradores desde domingo, 28.

Entre quinta-feira, 25, e domingo, 28, a Central de Regulação municipal transferiu 31 pacientes do Hospital Estadual Getúlio Vargas para outras unidades com o objetivo de liberar leitos para possíveis feridos nos confrontos no Complexo do Alemão. No fim de semana, a Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio (SMSDC) disponibilizou um helicóptero para fazer transferências para hospitais especializados.

DE UM RIO DE SOMBRAS E UM RIO DE LUZ

De um rio de sombras a um Rio de Luz - Marcelo Alexandrino da Costa Santos, O Globo. 26/11/2010 às 15h30m; Artigo do leitor

A situação no Rio é de grave distúrbio, com as seguintes características de guerra civil: os insurgentes - leia-se criminosos e "bandidos - pertencem a facções identificadas, possuem um governo que não se submete ao governo oficial e cujas lideranças, que são identificadas ou identificáveis, já tomaram, pela força e graças à histórica omissão do Estado, a posse de partes do território desta cidade, submetendo a população desses espaços a sua força. Um grupo que tem um poderoso arsenal de guerra a sua disposição e pretende alterar políticas públicas, o qual o Estado não pode prescindir da força para enfrentá-los. Bastaria que considerássemos o poder paralelo internacional como organização estrangeira a apoiá-los, teríamos configurada a guerra civil.

Seja como for, não se deve recuar. A polícia está mostrando uma face inteligente, corajosa e determinada. Está mostrando que é capaz de redefinirestratégias e agir conforme o planejado - com as adaptações racionais que o momento exigir - e de dar ao trabalho de inteligência o proveito que é capaz de proporcionar. O Estado do Rio de Janeiro demonstra que as ações coordenadas com organizações federais e municipais, longe de significar fraqueza, revelam o poder de uma República una, e afirma a força do estado democrático de direito, dando eco aos anseios de segurança da população.

É preciso que a sociedade não se deixe enganar pela lógica distorcida dos criminosos e compreenda que as UPPs fazem parte da solução, não do problema. É preciso também que, a despeito do sacrifício imposto pelo terror, nosso povo apoie as ações do Estado. As ações devem ter continuidade para que os cariocas e fluminenses possam conhecer a paz de espírito necessária à serena e feliz contemplação das incomparáveis belezas de nosso estado.

Se há sombras, um foco de luz está por perto. Lembremos que a luz tem o poder de afugentar as sombras, não o contrário. E não nos esqueçamos de que o Rio é um lugar espetacularmente luminoso.

Deixo o meu abraço esperançoso a todos, votos de força ao governo, desejo sucesso à polícia e sorte e felicidade à população.

Marcelo Alexandrino da Costa Santos é o juiz trabalhista que foi baleado ao tentar fugir de uma blitz policial em outubro, que julgou ser falsa no Rio.

PREJUÍZOS DO TRÁFICO CHEGAM A R$ 100 MILHÕES

Foto publicada por ZH, 30/11/2010

Prejuízos do tráfico com ocupação policial chegam a R$ 100 milhões - O Dia. Com informações do Terra. 30/11/2010

Rio - O comandante da Polícia Militar do Rio de Janeiro, coronel Mário Sérgio Duarte, estimou no início da tarde desta terça-feira em R$ 100 milhões o prejuízo causado ao tráfico nas operações do Complexo do Alemão. Segundo Duarte, o volume diz respeito a drogas, armas, casas, aparelhamento de enfermagem e outros itens. "Foi uma verdadeira paulada", afirmou.

Ainda de acordo com o coronel, um dos efeitos da operação foi psicológico, ao desmitificar o espírito corporativo dos criminosos. "Uma das mentiras que caiu foi o do chamado espírito de corpo da facção criminosa. Os primeiros a fugir foram as lideranças, abandonaram seus supostos liderados", comentou.

Ataques começaram no domingo ao meio-dia

A onda de ataques violentos no Rio e Grande Rio começou no domingo 21 de novembro, por volta do meio-dia, na Linha Vermelha, quando seis bandidos armados com cinco fuzis e uma granada fecharam a pista sentido Centro, altura de Vigário Geral. Os criminosos, em dois carros, levaram pertences de passageiros e queimaram dois veículos, após expulsarem os ocupantes. Para o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, as ações criminosas são uma reação contra a política de ocupação de territórios do tráfico, por meio das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e a transferências de bandidos para presídios federais em outros estados.

Na manhã da segunda-feira, cinco bandidos armados atacaram motoristas no Trevo das Margaridas, próximo à Avenida Brasil, em Irajá, também na Zona Norte. Os criminosos roubaram e incendiaram três veículos. No mesmo dia, criminosos armados com fuzis atiraram em uma cabine da PM na rua Monsenhor Félix, em frente ao Cemitério de Irajá. A PM acredita que o incidente tenha sido provocado pelos mesmos bandidos que haviam incendiado os três carros na mesma manhã. À noite, traficantes incendiaram dois carros na Rodovia Presidente Dutra, na altura da Pavuna. Foi o quinto ataque a motoristas em menos de 48 horas. Na Zona Norte, outra cabine da Polícia Militar foi metralhada.

No dia seguinte, as polícias Militar e Civil se uniram para reforçar o patrulhamento pelas ruas do Rio. O efetivo foi redobrado para controlar os ataques dos bandidos. A operação, que se chamou 'Fecha Quartel', suspendeu todas as folgas dos policiais militares do Rio de Janeiro. Mais de 20 favelas foram invadidas e armas e drogas foram apreendidas. Bandidos foram presos e alguns criminosos mortos em confronto com agentes.

Na quarta-feira 24 de novembro, novos ataques: ônibus, van e carros foram incendiados na Zona Norte do Rio, Baixada Fluminense e Niterói. Sérgio Cabral, governador do Rio, desafiou os bandidos: 'Não há paz falsa. Não negociamos'. Em uma reunião de cúpula da Segurança Pública do Estado, ficou decidido que a Marinha daria apoio logístico às operações de resposta aos ataques de bandidos.

Em mais um dia de veículos incendiados espalhados pela cidade, mais de 450 homens - entre polícias Militar e Civil e fuzileiros da Marinha, com o apoio de blindados de guerra da força naval, tomaram a Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha. Emissoras de tv mostraram, ao vivo, centenas de bandidos armados fugindo para comunidades vizinhas. Cenas históricas que mostraram a atual situação do Rio de Janeiro. Na sexta-feira 26 de novembro, o Exército e a Polícia Federal entraram na batalha. No sábado, uma chance para traficantes locais. A Polícia Militar tentou a rendição dos cerca de 600 bandidos que estariam no Complexo do Alemão. Exatamente às 7h59 deste domingo, o comando da PM ordenou a invasão e poucos mais de 1 hora depois, o Estado comunicava que o conjunto de favelas estava tomado.

Beltrame divulga balanço de armas e drogas encontrados no Alemão nos últimos dias - 30.11.10 às 14h25

Rio - A Secretaria de Segurança Pública divulgou, nesta terça-feira, o balanço das apreensões em dois dias de ocupação no Conjunto de Favelas do Alemão, na Penha, Zona Norte. Foram encontradas 33 toneladas de maconha, 235 kg de cocaína, 27 kg de crack, 1406 frascos de lança perfume, além de 135 armas.

PACIFICAÇÃO - MILITARES FEDERAIS PODEM COMANDAR UPPs


Militares podem comandar novas UPPs. Governador anuncia unidade pacificadora nas favelas e prefeitura inicia melhorias em saúde, educação e obras - O Dia, 30/11/2010

Rio - A implantação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) no Complexo do Alemão e Vila Cruzeiro, em Ramos e na Penha, deve ocorrer até julho do próximo ano. A data foi anunciada ontem pelo governador Sérgio Cabral. Até a chegada das UPPs, Cabral espera contar com o apoio das tropas das Forças Armadas na região.

Além da invasão militar, a região também ganhará a ocupação social: a Prefeitura do Rio dá inicio hoje a série de melhorias nos complexos de favelas, sobretudo nas áreas de conservação, saúde e educação. Há projetos também de obras, como a construção do plano inclinado da Igreja da Penha, tradicional ponto do bairro, para facilitar o acesso.

Após reunião com os 25 secretários ontem, o prefeito Eduardo Paes anunciou que, hoje, 600 garis e 70 equipamentos serão utilizados na limpeza e remoção de obstáculos da via. As aulas em 31 colégios municipais da região serão retomadas. As comunidades também ganharão 19 unidades escolares e outras oito serão reformadas. Crianças e professores terão acompanhamento psicológico e serão construídos três Ginásios do Amanhã, com horário integral para turmas do segundo segmento do Ensino Fundamental (do 6º ao 9º ano).

Já a ajuda dos militares, segundo Cabral, está acordada com o Ministério da Defesa, faltando acertar detalhes técnicos. “As conversas estão adiantadas e a permanência do Ministério da Defesa assegurará a continuidade da nossa cronologia de implantação das UPPs no Rio. Acredito que as UPPs no Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro estejam instaladas no sexto ou sétimo mês de 2011”, afirmou Cabral. O governador acredita que as unidades podem estar instaladas até antes do prazo.

A Secretaria de Segurança Pública já decidiu que a PM não irá mais sair do complexo de favelas do Alemão e da Penha. Para isso, o comando da PM criará três batalhões provisórios, até a implantação efetiva das UPPs. As novas unidades de campanha serão subordinadas ao tenente-coronel Edivaldo Camelo. Cada uma terá, no mínimo, 100 homens. Na ocupação dos dois complexos, há 1.100 homens da PM de 16 batalhões.

Novas unidades podem ter auxílio de militares

A Secretaria de Segurança Pública quer costurar com o Comando Militar do Leste (CML) nova parceria e criar uma espécie de UPP comandada pelos militares em favelas do Rio. A proposta é a de que o Exército atue como as tropas de paz da ONU no Haiti, onde o Brasil tem homens do Exército, Marinha e a Aeronáutica.

Lá, os militares fazem patrulhamento. Aqui, eles fariam o mesmo tipo de policiamento em comunidades libertadas do tráfico de drogas. O projeto da Secretaria de Segurança está sendo guardado a sete chaves. A meta é tentar convencer as autoridades do Governo Federal sobre a viabilidade da ideia até as Olimpíadas de 2016.

Efetivo é maior que o já existente nas UPPs

O efetivo necessário para ocupar permanentemente e pacificar os complexos do Alemão e da Penha ultrapassa o atual número de homens que trabalham em UPPs. Nas 12 unidades instaladas são 2.037 PMs. Segundo o comandante das unidades, coronel Robson Rodrigues, a estimativa é que sejam necessários 2.200 homens, pelo menos. Os complexos podem receber 4 ou 5 UPPs, com bases avançadas, cabines e aparato tecnológico para facilitar a comunicação entre os policiais.

“A gente precisa desmembrar a estrutura para ter controle maior e mais proximidade com a população”, disse. Ainda esta semana, uma equipe do comando das UPPs já começa a circular pelas comunidades do Alemão e do Complexo da Penha para avaliações.

Reportagens de Adriana Cruz, Beatriz Salomão, Diogo Dias, Francisco Édson Alves, Isabel Boechat, João Noé, Leslie Leitão, Luarlindo Ernesto, Lúcio Natalício, Mahomed Saigg, Marco Antonio Canosa, Maria Inez Magalhães, Maria Mazzei, Ricardo Albuquerque e Thiago Feres

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Se esta idéia for confirmada, o Estado estará adotando uma medida totalitária, anti-democrática e de desmoralização da polícia militar. A competência do policiamento ostensivo é exclusiva da polícia militar e as UPPs são um tipo de policiamento ostensivo. As Forças Armadas só devem atuar na segurança pública em época de paz, mediante lei federal de caráter emergencial.

Veja abaixo a preocupação dos militares...

Permanência no Rio preocupa militares - ZERO HORA, 30/11/2010

Mesmo contrariado, o Exército deve permanecer no Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro até julho de 2011. As tropas federais substituirão as polícias Civil e Militar nas duas comunidades ocupadas no Rio de Janeiro. A avaliação da cúpula é que há um consenso político, irradiado a partir do Planalto, que prega a permanência das tropas nos morros e torna a ampliação da missão irreversível. O clamor da população, que apoiou maciçamente a operação contra o tráfico e a presença do Exército, é outro fator que levou a essa decisão. Os militares estão preocupados com a mudança da missão, que deixará de ser apenas de controle das entradas e saídas do morro para se tornar uma tarefa de quase policial. O receio do comando é que a duração da missão, somada ao novo perfil de operação, coloque os militares em contato íntimo com o narcotráfico, que pode contaminar setores do Exército. Nesse período de quase oito meses, o efetivo de 800 homens do Exército dever ser mantido.


PERGUNTA DA HORA: Aliás, onde estão nossos congressistas que ainda não criaram lei emergencial para salvaguardar a participação das FFAA nesta operação de guerra urbana no Rio? Quem assumirá a responsabilidade no caso de enfrentamento com mortes?

A INTELIGÊNCIA POR TRÁS DA GUERRA


A inteligência por trás da guerra - RODRIGO MÜZELL | ENVIADO ESPECIAL/RIO, Zero Hora, 30/11/2010

Forças Armadas e polícias traçam rumos da batalha em unidade improvisada
Não foram apenas os 2,7 mil agentes os responsáveis pela ocupação, em apenas uma hora, do Complexo do Alemão, um dos principais redutos do tráfico no Rio. Coordenar as forças reunidas para dar resposta aos tumultos causados na cidade pelo tráfico semana passada foi fundamental para o sucesso.

No Centro de Controle e Comando (CCC) montado no 16º Batalhão de Polícia Militar, em Olaria, comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica e policiais civis, militares e federais trabalham juntos desde que a decisão de invadir o complexo foi tomada, na sexta-feira, quando a presença da Vila Cruzeiro foi consolidada.

– Não há a necessidade de um comandante só para essa unidade: todos os presentes aqui têm autoridade para tomar qualquer decisão – explicou o relações públicas da PM, coronel Lima Castro.

À primeira vista, a estrutura impressiona pela simplicidade e quase informalidade. São usados um salão anexo ao batalhão e um micro-ônibus do Bope para reunir cerca de duas dezenas de profissionais que analisam imagens aéreas, informações passadas por agentes e vindas do disque-denúncia.

No micro-ônibus do Bope, quatro computadores com acesso à internet montaram os mapas para orientar as tropas que fecharam a saída do morro pelo matagal que, dias antes, fora usado pelos traficantes em fuga da Vila Cruzeiro. Depois da ocupação, eles são fundamentais para organizar a revista nas favelas. Cinco homens se revezam sem parar desde a semana passada no ônibus.

– A gente analisa até carta de vagabundo que encontramos nas casas – conta um capitão do Bope.

ANTES DA INVASÃO - Helicópteros da Força Aérea sobrevoavam o local para identificar bandidos e possíveis pontos de tiro dos traficantes nos policiais. Câmeras mostravam, em dois telões, o movimento das avenidas que circulavam o complexo do Alemão.

DURANTE A INVASÃO - Os operadores acompanhavam o andamento de cada blindado e viatura por GPS. Os veículos tinham câmeras de vídeo. Assim, o comando via o que os policiais viam. Pelo ar, a movimentação de fuga dos bandidos era registrada. Pelo rádio com GPS, o comando coordenava o avanço dos policiais e militares.

DESDE A OCUPAÇÃO - A varredura no complexo, atrás de drogas e armas, é planejada a cada dia. Pelo rádio, as forças trocam informações sobre esconderijos.

A GUERRA DO RIO - 49 GRANADAS APREENDIDAS


PM encontra 49 granadas no alto do Complexo do Alemão - O DIA, 30/11/2010

Rio - A Polícia Militar informou, nesta terça-feira, que 49 granadas foram apreendidas no alto do Complexo do Alemão, na Penha, Zona Norte do Rio. Todo o material será levado para o centro de comando e controle da operação, localizado no 16º Batalhão (Olaria).

Ataques começaram no domingo ao meio-dia

A onda de ataques violentos no Rio e Grande Rio começou no domingo 21 de novembro, por volta do meio-dia, na Linha Vermelha, quando seis bandidos armados com cinco fuzis e uma granada fecharam a pista sentido Centro, altura de Vigário Geral. Os criminosos, em dois carros, levaram pertences de passageiros e queimaram dois veículos, após expulsarem os ocupantes. Para o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, as ações criminosas são uma reação contra a política de ocupação de territórios do tráfico, por meio das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e a transferências de bandidos para presídios federais em outros estados.

Na manhã da segunda-feira, cinco bandidos armados atacaram motoristas no Trevo das Margaridas, próximo à Avenida Brasil, em Irajá, também na Zona Norte. Os criminosos roubaram e incendiaram três veículos. No mesmo dia, criminosos armados com fuzis atiraram em uma cabine da PM na rua Monsenhor Félix, em frente ao Cemitério de Irajá. A PM acredita que o incidente tenha sido provocado pelos mesmos bandidos que haviam incendiado os três carros na mesma manhã. À noite, traficantes incendiaram dois carros na Rodovia Presidente Dutra, na altura da Pavuna. Foi o quinto ataque a motoristas em menos de 48 horas. Na Zona Norte, outra cabine da Polícia Militar foi metralhada.

No dia seguinte, as polícias Militar e Civil se uniram para reforçar o patrulhamento pelas ruas do Rio. O efetivo foi redobrado para controlar os ataques dos bandidos. A operação, que se chamou 'Fecha Quartel', suspendeu todas as folgas dos policiais militares do Rio de Janeiro. Mais de 20 favelas foram invadidas e armas e drogas foram apreendidas. Bandidos foram presos e alguns criminosos mortos em confronto com agentes.

Na quarta-feira 24 de novembro, novos ataques: ônibus, van e carros foram incendiados na Zona Norte do Rio, Baixada Fluminense e Niterói. Sérgio Cabral, governador do Rio, desafiou os bandidos: 'Não há paz falsa. Não negociamos'. Em uma reunião de cúpula da Segurança Pública do Estado, ficou decidido que a Marinha daria apoio logístico às operações de resposta aos ataques de bandidos.

Em mais um dia de veículos incendiados espalhados pela cidade, mais de 450 homens - entre polícias Militar e Civil e fuzileiros da Marinha, com o apoio de blindados de guerra da força naval, tomaram a Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha. Emissoras de tv mostraram, ao vivo, centenas de bandidos armados fugindo para comunidades vizinhas. Cenas históricas que mostraram a atual situação do Rio de Janeiro. Na sexta-feira 26 de novembro, o Exército e a Polícia Federal entraram na batalha. No sábado, uma chance para traficantes locais. A Polícia Militar tentou a rendição dos cerca de 600 bandidos que estariam no Complexo do Alemão. Exatamente às 7h59 deste domingo, o comando da PM ordenou a invasão e poucos mais de 1 hora depois, o Estado comunicava que o conjunto de favelas estava tomado.


Polícia apreende 49 granadas no Complexo do Alemão - 30/11/2010 às 10h54m; Ana Cláudia Costa


RIO - A polícia continua nesta terça-feira a operação de pente-fino no Complexo do Alemão. Pela manhã, o serviço reservado da Polícia Militar apreendeu 49 granadas no alto da comunidade. O material será levado para o centro de controle do 16º BPM. ( Leia também: Escolas do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro reabrem nesta terça-feira )

Mais cedo, um suspeito foi preso por policiais civis na saída da Favela da Grota. De acordo a polícia, ele possui vários mandados de prisão expedidos e foi abordado em um dos acessos da comunidade. O homem foi encaminhado para a 21ª DP (Bonsucesso).

Com a presença dos policiais na comunidade, moradores do Alemão aproveitaram para retomar o que lhes foi retirado pelo tráfico durante anos. Casas de traficantes de outras favelas, que estavam escondidos na favela, estão sendo desmontadas, já que os moradores acreditam que os criminosos não irão retornar. Adolescentes pegaram roupas de grifes e tênis que eram utilizados por traficantes.

Segundo o último balanço da PM, na segunda-feira cinco pessoas foram presas. Em uma semana, entre os dias 22 e 29 de novembro, 123 pessoas foram presas, 130 detidas, e outras 37 foram mortas. No total, foram apreendidas 205 armas de diferentes calibres, além de 125 granadas e bombas caseiras.

CAÇADA POLICIAL - No esgoto, entre ratos e baratas



CAÇADA POLICIAL - No esgoto, entre ratos e baratas - HUMBERTO TREZZI | ENVIADO ESPECIAL/RIO. Zero Hora, 30/11/2010

Oito suspeitos foram surpreendidos pela polícia em fuga pela tubulação pluvial
Nesta estranha condição, no esgoto, estavam oito suspeitos de pertencer ao Comando Vermelho (CV), facção criminosa que dominava as 16 favelas do Complexo do Alemão, quando foram presos na noite de domingo. O local, na Zona Norte carioca, foi alvo da maior operação policial da história.

Os jovens foram surpreendidos por policiais civis da 14ª Delegacia de Polícia (Leblon) durante a fuga ao cerco de 2,7 mil policiais civis, federais, militares, fuzileiros navais e soldados do Exército. O delegado Fernando Veloso garante: as redes cloacais e pluvias construídas com dinheiro do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) são as principais rotas de fuga.

– Após a informação de um morador, prendemos oito criminosos em uma tubulação de esgoto – disse o delegado, sem dar detalhes.

O policial investiga a informação de que os criminosos teriam obrigado operários a serviço das empreiteiras do PAC a cavarem buracos de acesso aos túneis do esgoto pluvial.

No dia de ontem, além de percorrer por 12 horas todo o labirinto de ruelas das 16 favelas, os policiais realizaram busca em cada casa da qual recebiam informes. Zero Hora presenciou a ajuda discreta de parte da população.

Um vidraceiro piscou com o olho para seis policiais do 17º Batalhão da PM (Ilha do Governador) na favela da Grota. Os PMs se dirigiram para baixo de uma escada, o homem foi atrás e lhes indicou um bar. Acharam máquinas caça-níqueis e trouxinhas de cocaína. Ninguém estava lá para ser preso.

– Tem de ouvir queixa, ter paciência. No meio de um monte de reclamações, alguém passa informação importante – relata o sargento Artur Bezerra, do 17º BPM, um dos autores da prisão de Eliseu Felício de Souza, o Zeu, condenado pela morte do jornalista Tim Lopes.

O bandido, um dos líderes no Complexo do Alemão, estava embaixo da cama de uma casa.

A poucos metros dali, numa clareira, três jovens que passavam olhando nervosos foram detidos por policiais civis da Delegacia do Consumidor (sim, até ela está no cerco). Bingo, comemorou um dos agentes, ao consultar por telefone o banco de dados. Um dos rapazes, com 20 anos, está com prisão decretada por assalto. Os outros dois ficaram detidos para averiguações e possível reconhecimento por parte de moradores.

Na entrada do Morro do Adeus, um homem foi preso quando tentava ingressar na favela. Carregava uma mochila com oito identidades diferentes, uma faca de caça e cocaína. Os militares acreditam que ele tentava entregar as identidades para que parceiros pudessem escapar das barreiras com nomes falsos. Na vila Nova Brasília, um adolescente foi pego carregando uma Bíblia. No meio dela, mais de R$ 5 mil.

Até o final da tarde, a PM e a Polícia Civil contabilizavam seis caminhões com presos suspeitos e dois camburões com sacos de cocaína e armamentos, apreendidos apenas ontem. Em dois dias, foram confiscados 40 toneladas de maconha, 200 quilos de cocaína, 120 armas e centenas de veículos, entre eles a caminhonete usada na fuga da Vila Cruzeiro.

COMO AGE A POLÍCIA

- A polícia não pode ingressar em uma residência sem autorização judicial ou sem permissão do dono, salvo em flagrante delito. Na operação de domingo, a polícia contava com ordens de busca e apreensão expedidas pela Justiça para vistoria em endereços das 16 favelas do Complexo do Alemão. A autorização é expedida a pessoas com nomes completos ou apelidos.

- As ordens de busca não são necessárias para estabelecimentos públicos, como bares. Todos os bares foram revistados pelos policiais, sem necessidade de autorização dos donos. Também não há necessidade de autorização se houver indício de drogas e suspeitos em residências.

- A maioria dos moradores das favelas é humilde e atende ao pedido do policial para abrir a porta e conferir documentos. Os policiais checam se as pessoas são da mesma família, têm o mesmo sobrenome e se algum ocupante estranho não é, talvez, um foragido da Justiça.

ESTÁ HAVENDO RECLAMAÇÃO?

Sem mandados de busca para as 30 mil residências do conjunto de favelas, a polícia garantiu que só procuraria armas, drogas e criminosos em locais onde sua entrada fosse autorizada, mas parte da população reclamou da invasão indiscriminada. Moradores se queixaram que foram agredidos e de que dinheiro foi suprimido de sua casa por policiais.

GUERRA DO RIO - Retomada com políticas sociais e serviços públicos

DEPOIS DA RETOMADA - Zero Hora Editorial, 30/11/2010

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), anunciou ontem uma série de medidas de caráter social e de implementação de serviços públicos nos complexos do Alemão e da Penha, que até a semana passada eram dominados pelo tráfico de drogas. A retomada dos territórios pelas forças conjuntas de segurança, que está sendo vista em todo o país como uma reação do Estado contra a criminalidade e a violência, precisa mesmo ser seguida de ações de cidadania, para que as populações carentes voltem a confiar no poder público e não mais caiam na armadilha do crime organizado.

O apoio dos moradores às forças de segurança logo se transformará em revolta se suas casas forem invadidas pela polícia e se continuar a carência de serviços básicos, como água, luz, esgoto e postos de saúde. Então, é essencial que agora o poder público promova uma nova invasão às favelas – uma invasão de oferta de serviços e de atendimento a populações historicamente negligenciadas, que por isso mesmo se tornaram vítimas fáceis e até mesmo aliadas do crime organizado.

O melhor teria sido que a situação jamais tivesse chegado a esse ponto, mas o descaso de sucessivas administrações facilitou a criação no país de verdadeiros amontoados de habitações irregulares, com suas respectivas mazelas. O que o prefeito carioca está prometendo agora tem que ser feito rotineiramente pelas administrações dos centros urbanos até como política preventiva. Evidentemente, o tráfico de drogas tem que ser combatido pela polícia, mas ações de natureza social, como a oferta de serviços básicos, de lazer e de oportunidades de educação e trabalho, são o melhor antídoto para a disseminação de tóxicos entre os jovens.

O sucesso da operação na Vila Cruzeiro e no complexo do Alemão deve-se muito ao apoio da população às forças de segurança. Por meio do disque-denúncia, o governo do Rio tem recebido informações valiosas para localizar traficantes, laboratórios e armamentos, evitando assim a exposição demasiada dos agentes de segurança e preservando vidas de inocentes e dos próprios criminosos. Mas esta colaboração está diretamente relacionada com o respeito que a polícia dispensar aos cidadãos e com a presteza do poder público para atendê-los em suas necessidades.

De qualquer maneira, a reação contra a violência instalada nos grandes centros urbanos do país apenas começou. O próprio Rio de Janeiro, que agora começa a aparecer como modelo para o resto do país, talvez ainda leve anos para erradicar o tráfico, que continua sendo alimentado e financiado por consumidores de todos os quadrantes da nação. O que parece inequívoco, porém, é que a presença do Estado tem que ser permanente e eficaz, de modo a desestimular o ingresso de novos militantes no verdadeiro exército do crime em que se transformou o tráfico em nosso país.

Também é indispensável que as forças de segurança não deem trégua aos bandidos, para evitar que eles simplesmente migrem para áreas menos protegidas. Se foi difícil retomar os territórios ocupados pelo crime, mais desafiador ainda será mantê-los como parte do Brasil que deseja viver com ordem e progresso.

A GUERRA DO RIO - ENFIM, O ESTADO!


Enfim, o Estado!, por Romeu Karnikowski, Advogado e sociólogo - Zero Hora 30/11/2010

O Rio de Janeiro é a cara mais evidente do Brasil, refletindo suas belezas, seus esplendores e seus fascínios, mas também suas contradições, suas mazelas e degradações. É uma cidade profundamente partida, cindida no seu coração há décadas por políticas que plasmaram o apartheid social que está na origem da violência e do banditismo que grassou na cidade, sobretudo, nos últimos 30 anos. Como se vê, o Estado está paradoxalmente na origem das agruras vividas pela comunidade carioca, num processo que vem se acumulando há mais de cem anos.

O Estado moderno foi constituído sob três princípios fundamentais: o legislativo, o jurisdicional e o administrativo. Ao longo do século 20, o Estado foi carregado de funções tais como atribuir educação, saúde, fomentar a economia e construir infraestrutura, entre as quais o saneamento básico. Mas existe uma função que é muito mais remota e que na verdade fundamentou a existência do Estado ao longo dos séculos: a segurança.

O próprio conceito de cidadania tem origem na ideia de segurança, quando na Antiguidade as cidades-Estados concediam o “direito de cidade” para proteger pessoas dos inimigos, das feras e dos salteadores. O Estado brasileiro, durante muito tempo, reconheceu a cidadania dos ricos e criminalizou os segmentos marginalizados, cuja forma se sedimentou no Rio Janeiro. Desse modo, a atua-ção das forças de segurança nos complexos da Penha e do Alemão no Rio de Janeiro, contra os narcotraficantes, representa a retomada pelo Estado de áreas deterioradas pelo crime e pela violência. A ausência do Estado nessas áreas tem origem nas medidas de modernização, urbanização e saneamento desencadeadas no primeiro quartel do século 20, no sentido de fazer do Rio a “Paris dos Trópicos”, mas cujo resultado foi empurrar milhares de cariocas para os morros da cidade, onde ficaram sem uma estrutura mínima de vivência.

Os soldados retornados da Campanha de Canudos (1897) logo denominaram essa nova realidade de “favela”, em alusão à gramínea e ao ambiente que havia no arraial dos jagunços de Antonio Conselheiro. A Revolta da Vacina, de 1904, é o acontecimento mais emblemático contra essas políticas “modernizadoras” que na prática acabaram segregando a maioria da população da cidade. No filme Assalto ao Trem Pagador, de 1961, Roberto Farias mostra com maestria as contradições sociais vivenciadas pela cidade entre as pessoas segregadas dos morros e os bem vividos da planície. Mas o verdadeiro cenário de fundo dessa obra-prima é a miséria que grassava nos morros da Cidade Maravilhosa, de onde emergem seus protagonistas trágicos. Na verdade, as lentes de Roberto Farias mostraram cruamente o resultado das políticas modernizadoras do início do século 20, que no final tornaram os morros áreas criminalizadas.

Assim, onde gerações inteiras foram jogadas à própria sorte, sem a presença do Estado no fornecimento de infraestrutura básica, especialmente de segurança, os narcotraficantes encontraram o ambiente geograficamente favorável às suas atividades desde os anos 80. Somados a isso, os policiais advindos do regime militar agiam de acordo com a doutrina da ordem e não da segurança, ou seja, visavam à manutenção da ordem do Estado e não da segurança das pessoas. A Constituição de 1988, em seu artigo 144, subverte esse princípio dado pelos DLs 317/67 e 667/69, de modo que o sucesso da ação das polícias fluminenses somente foi possível com o conceito da polícia de segurança, cujo objetivo é a preservação da vida das pessoas e não do Estado ou de um regime.

A tomada do complexo da Penha e do Alemão pelas forças de segurança está carregada de simbolismo que deve ser aproveitado pelo poder público para começar a reparar o seu próprio erro, que se perpetua há mais de cem anos. Essa reparação é o estabelecimento do Estado com todas as suas prerrogativas nos morros do Rio de Janeiro e dessa forma afirmar: enfim, o Estado.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

DI VIDRO, PERIGOSO CHEFE TRAFICANTE MORREU NO CONFRONTO


Di Vidro, da Mangueirinha, morre em confronto - CASOS DE POLÍCIA, EXTRA, 29/11/2010

Morre "Di Vidro", chefe do tráfico no Complexo da MangueirinhaO traficante Luis Carlos Nesse José, o Di Vidro, foi morto em confronto com policiais na noite de domingo, no Complexo do Alemão. A informação foi confirmada pelo 15º BPM e pela 59ª DP (Duque de Caxias).

Com as informações da morte de Di Vidro circulando no Complexo da Mangueirinha, policiais da 59ª DP se deslocaram até o Hospital Getúlio Vargas, na Penha. Lá, constataram que Di Vidro havia dado entrada, mas seu corpo já havia sido liberado para o Instituto Médico Legal (IML). A liberação foi assinada pela ex-mulher.

Di Vidro era um dos bandidos mais procurados do Rio de Janeiro. Tanto que a Polícia formou recentemente um esquadrão de elite para investigá-lo - e prendê-lo - juntamente a Fabiano Atanasio, o FB, Luciano Martiniano, o Pezão, entre outros.

Nas localidades conhecidas como Santuário e Sapo, bandeiras negras foram penduradas em janelas como sinal de luto.

DI VIDRO - O TERROR DA DUQUE DE CAXIAS - EXTRA, 4.4.2010


Luis Carlos Nesse José, o Di Vidro, de 33 anos, tem causado pânico entre os condutores de Duque de Caxias. Ele e seu bando de ladrões de carros atuam há mais de dez anos, na cidade e nas vias de ligação aos municípios vizinhos da Baixada Fluminense. Investigações da 59ª DP (Duque de Caxias) apontam que, no mês passado, Di Vidro comandou um bonde que teria roubado 20 veículos em um único fim de semana.

A ficha criminal do bandido é extensa. Sua “carreira” começou com um roubo, no dia 17 de novembro de 1998. Contra ele há quatro mandados de prisão por roubo e um por homicídio, expedidos pela 4ª Vara Criminal de Duque de Caxias e pela 25ª Vara Criminal da Capital. Esta semana, o delegado Antônio Silvino Teixeira pediu mais dois mandados por homicídio.

— Podemos dizer que, atualmente, a prisão desse criminoso é a nossa prioridade, tamanho o terror que ele tem causado em Duque de Caxias — revelou Silvino.

Foragido da Justiça

Di Vidro ou Dvd chegou a ficar na cadeia de 1998 a 2001 por roubo, com prisão decretada em processos julgados na 1ª e na 5ª Vara Criminal de Caxias, mas recebeu o direito de cumprir o resto da pena em regime semi-aberto e fugiu.

Ele é casado e tem um casal de filhos, que ficam com a mãe, enquanto o pai comete crimes e foge da polícia. Em um dos processos a que responde, o bandido é acusado, juntamente com outros dois homens, de ter matado e escondido o corpo de Igor de Moura Nunes. Anderson da Costa Rodrigues dos Santos, um de seus comparsas, foi preso e condenado a 21 anos de prisão. Atualmente, está em um hospital penal da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap).

'Cria' da Chatuba

Segundo a investigação, Luis Carlos Nesse é proveniente da Favela da Chatuba, na Penha, e centralizou as ações na Baixada para fugir das blitzes realizadas pela PM na Avenida Brasil. Quando não está na Vila Cruzeiro, se reveza entre esconderijos no Complexo da Mangueirinha ou passa algumas horas na casa dos pais, no Parque Centenário, em Duque de Caxias.

O titular da 59ª DP tem outra motivação para prender Di Vidro: seus bondes impedem que a unidade consiga uma redução mais expressiva dos índices de roubos de veículos. Dos 173 casos registrados em todo o município, em janeiro deste ano, 97 aconteceram na área de atuação da delegacia.

— Atingimos a meta da Chefia de Polícia, mas precisamos tirar o Di Vidro de circulação para melhorar ainda mais — destacou.

Di Vidro: seis mortes no currículo - EXTRA, 04/04/2010.

O delegado Antônio Silvino indiciou Luis Carlos por seis assassinatos cometidos em Duque de Caxias, este ano. No primeiro caso, ele invadiu uma comunidade rival e matou quatro pessoas, deixando outras quatro feridas. Há cerca de dois meses, Di Vidro executou uma jovem de 14 anos e o seu namorado, na Mangueirinha, porque achou que os dois eram informantes da polícia. Segundo as investigações, durante a semana, o bandido se esconde na favela Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, que se transformou no refúgio dos chefões do tráfico. Nos sábados e domingos, o bonde comandato por Di Vidro vai para a pista.

FADADA AO FRACASSO, SERA?

Operação policial no Rio está fadada ao fracasso, diz autor de "Violência Urbana". Paulo Sérgio Pinheiro alerta que a operação policial no Rio está fadada ao fracasso - FABIO ANDRIGHETTO, da Livraria da Folha - ONU, 26/11/2010 - 20h22

Usar tanques obsoletos da Segunda Guerra Mundial contra "chefetes" do crime carioca é, para o cientista político Paulo Sérgio Pinheiro, a receita do fracasso em curto prazo.

Em entrevista à Livraria da Folha, disse ser favorável à ocupação dos morros no Rio, mas pondera que o governo toma apenas medidas reativas. Para ele, a cidade precisa de política de segurança, não de uma política bélica.

Paulo Sérgio ocupou a posição de especialista independente para violência contra a criança da ONU (2003-2008) e é autor de "Violência Urbana", livro da coleção Folha Explica, escrito em parceria com Guilherme Assis de Almeida, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da USP.

O professor apontou diversas fragilidades neste tipo de operação policial, como a falta de políticas para inibir o consumo de drogas --fator financeiro estratégico-- e a deficiência do Ministério Público no combate da corrupção dentro das instituições.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Realmente, falta uma política para esta área no Brasil. Mas uma política de ordem pública (foco, objetivo) e não de segurança pública (instrumentos e processos). Esta política parte de uma visão ideal de segurança pública envolvendo, aproximando, integrando e comprometendo Poder Judiciário, Ministério Público, Forças Policiais, Guardas Prisionais (administração, segurança e construção de presídios em níveis de segurança), Defensorias, Saúde, Educação e Departamento de Monitoramento de apenados e benefícios penais, num sistema amplo de PRESERVAÇÃO DA ORDEM PÚBLICA. Sem este conjunto e sem leis fortes e coativas, o crime sempre vencerá, pois sues autores ficam impunes ou recebem penas leves e de curta duração.

Na minha opinião, a operação desencadeada pelo Governo do Rio éra a única forma de vencer o domínio do tráfico, desmontar a estrutura criminosa da facção mandante e resgatar território e comunidades inteiras que éram reféns do terror. As forças policiais sozinhas não tinham equipamentos e nem o número suficiente para fazer o cerco, sufocar a bandidagem e impor o respeito pela força. No meu livro "Ordem e Lberdade" (Polost2006, pg. 249-258) previa uma medida semelhante como a única capaz de vencer a guerra do Rio. A única coisa que faltou foi a decretação de uma lei emergencial para autorizar a entradas das forças armadas no conflito, feita pelo Presidente Lula de forma corajosa e sem autorização do Congresso. Aliás, o Congresso ficou vazio, se omitiu da responsabilidade e poderia deixar os militares desamparados no caso de um enfrentamento com mortes. O Brasil é um país democrático e deveria já ter uma lei emergencial regulando a participação das forças armadas na segurança pública. Normalmenters, estas devem cumprir a missão já prevista na constituição para a defesa externa.

A GUERRA DO RIO - A culpa é do governo

A culpa é do governo. 'Ao ouvir falar em reformas, todos os políticos concordam, só que ninguém faz nada. Nem nós, acostumados a isso. Somos muito ordeiros' - 29 de novembro de 2010 - João Ubaldo Ribeiro - O Estado de S.Paulo

A gente se acostuma a tudo. Os biólogos dizem que a repetição do estímulo inibe a resposta. Provocar continuadamente uma reação no organismo ou na mente acaba não surtindo mais efeito. Pode-se fazer uma analogia com a nossa desaparecida indignação, que, de tão cutucada, já não se manifesta e, em alguns de nós, parece ter-se convertido em resignação e cinismo amargo. É isso mesmo, os políticos são ladrões, os administradores são incompetentes, os serviços públicos são abomináveis, a educação é um desastre, a saúde é uma calamidade e a insegurança é geral - acabou-se, nada a fazer, o Brasil é assim mesmo.

É triste ver a amada cidade do Rio de Janeiro, orgulho de todos nós, transfigurada numa Bagdá à beira-mar, carros blindados conduzindo tropas de assalto e armamento pesado, soldados de fuzil em punho se esgueirando em ruelas, como víamos somente em filmes de guerra. Entre metralhadoras, granadas, carros e ônibus em chamas, repórteres usando coletes à prova de balas e gente espavorida, é como assistir à cobertura da Guerra do Golfo. Isto é, enquanto uma bala não estilhaçar o televisor, caso em que teremos também recebido, como tantos outros concidadãos, nosso batismo de fogo.

As causas para essa situação são conhecidas e vão desde desigualdades socioeconômicas a uma abordagem ultrapassada da questão das drogas ilegais. Ou seja, problemas que poderiam não mais existir ou ter sido muito minorados, se nossos governantes tivessem, desde sempre, formulado e posto em prática com seriedade políticas públicas integradas e subordinadas a um planejamento racional, de metas claramente definidas. Ou que, pelo menos, encetassem algumas das reformas de que todos sabem que precisamos. Ao ouvir falar em reformas, o governante costuma assentir, com ares graves de quem concorda. Todos concordam, só que ninguém faz nada. Nem nós, que já nos acostumamos a isso e logo nos acostumaremos também a ver tanques de guerra se abastecendo no posto da esquina. Nós somos um povo muito ordeiro.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - É mesmo. Trocamos nossa constituição por uma esdrúxula, detalhista, corporativista e benevolente que já está toda remendada para atender os mais diversos interesses. Tivemos uma reforma judiciária que manteve todas as mazelas que impedem a aproximação da justiça e a aplicação coativa da lei. A reforma das leis penais e processuais estão mofando nos arquivos do Congresso. E as reformas políticas jamais sairam do papel e das boas intenções. Nesta guerra do Rio, quando as forças de segurança precisam de leis emergenciais para proteger os moradores que ficam no meio do conflito e salvaguardar as ações de polícia realizadas especialmente pelas forças armadas, o Congresso Nacional esvaziou-se. Senadores e Deputados federais, mesmo recebendo regios salários e privilégios, preferiram assistir de casa o terror e a ação corajosa e determinada dos bravos guerreiros militares e policiais contra um exército ousado e bem armado do crime. Presidente, Governador, Judiciário, MP e saúde, todos tiveram participação efetiva para o sucesso da operação. Mas o Congresso? Onde está?

ARSENAL DE GUERRA, DROGAS E COLETES NO SUBSOLO DE UMA CASA


A GUERRA DO RIO - Civil encontra drogas, armas, coletes e granadas em subsolo de casa no Alemão - O Dia, 29.11.10 às 10h54 > Atualizado em 29.11.10 às 11h23.

Rio - A Polícia Civil informou, nesta segunda-feira, que apreendeu grande quantidade de drogas, armas, coletes e granadas no subsolo de uma casa no Complexo do Alemão, na Penha, Zona Norte. Os agentes informaram que o material demorou a ser retirado do local em decorrência da dificuldade proporcionada pela construção.

Um dos carregadores de fuzil tinha as iniciais 'FB', do traficante e chefe do comércio de entorpecentes do Complexo da Penha, Fabiano Atanásio da Silva. Entre o material apreendido estava um fuzil AK-47, de fabricação russa, em ótimo estado. Tudo foi encontrado na Favela da Grota, em uma localidade conhecida como Beco da União, através de denúncia de moradores.

"Este material não estava largado, mas sim muito bem escondido. O material estava enterrado e só pudemos encontrar por causa da ajuda de moradores através de denúncia", disse um dos agentes da Polícia Civil envolvidos na ação..

Ataques começaram no domingo ao meio-dia

A onda de ataques violentos no Rio e Grande Rio começou no domingo 21 de novembro, por volta do meio-dia, na Linha Vermelha, quando seis bandidos armados com cinco fuzis e uma granada fecharam a pista sentido Centro, altura de Vigário Geral. Os criminosos, em dois carros, levaram pertences de passageiros e queimaram dois veículos, após expulsarem os ocupantes. Para o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, as ações criminosas são uma reação contra a política de ocupação de territórios do tráfico, por meio das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e a transferências de bandidos para presídios federais em outros estados.

Na manhã da segunda-feira, cinco bandidos armados atacaram motoristas no Trevo das Margaridas, próximo à Avenida Brasil, em Irajá, também na Zona Norte. Os criminosos roubaram e incendiaram três veículos. No mesmo dia, criminosos armados com fuzis atiraram em uma cabine da PM na rua Monsenhor Félix, em frente ao Cemitério de Irajá. A PM acredita que o incidente tenha sido provocado pelos mesmos bandidos que haviam incendiado os três carros na mesma manhã. À noite, traficantes incendiaram dois carros na Rodovia Presidente Dutra, na altura da Pavuna. Foi o quinto ataque a motoristas em menos de 48 horas. Na Zona Norte, outra cabine da Polícia Militar foi metralhada.

No dia seguinte, as polícias Militar e Civil se uniram para reforçar o patrulhamento pelas ruas do Rio. O efetivo foi redobrado para controlar os ataques dos bandidos. A operação, que se chamou 'Fecha Quartel', suspendeu todas as folgas dos policiais militares do Rio de Janeiro. Mais de 20 favelas foram invadidas e armas e drogas foram apreendidas. Bandidos foram presos e alguns criminosos mortos em confronto com agentes.

Na quarta-feira 24 de novembro, novos ataques: ônibus, van e carros foram incendiados na Zona Norte do Rio, Baixada Fluminense e Niterói. Sérgio Cabral, governador do Rio, desafiou os bandidos: 'Não há paz falsa. Não negociamos'. Em uma reunião de cúpula da Segurança Pública do Estado, ficou decidido que a Marinha daria apoio logístico às operações de resposta aos ataques de bandidos.

Em mais um dia de veículos incendiados espalhados pela cidade, mais de 450 homens - entre polícias Militar e Civil e fuzileiros da Marinha, com o apoio de blindados de guerra da força naval, tomaram a Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha. Emissoras de tv mostraram, ao vivo, centenas de bandidos armados fugindo para comunidades vizinhas. Cenas históricas que mostraram a atual situação do Rio de Janeiro. Na sexta-feira 26 de novembro, o Exército e a Polícia Federal entraram na batalha. No sábado, uma chance para traficantes locais. A Polícia Militar tentou a rendição dos cerca de 600 bandidos que estariam no Complexo do Alemão. Exatamente às 7h59 deste domingo, o comando da PM ordenou a invasão e poucos mais de 1 hora depois, o Estado comunicava que o conjunto de favelas estava tomado.

GUERRA DO RIO - CONQUISTA DO ALEMÃO


Conquista do alemão. A cronologia de uma batalha histórica - Repórter de Crime, Jorge Anselmo Barros, O Globo, 29/11/2010

6h50m: São ouvidos os primeiros tiros pela manhã vindos da Favela da Grota.

7h10m: Um comboio da Polícia Civil com 50 carros, que estava na Quinta da Boa Vista, parte para o Alemão, acompanhado por um helicóptero blindado.

7h18m: Agentes da Core chegam a Estrada do Itararé para reforçar o cerco.

7h59m: A Core começa a invasão ao Complexo do Alemão pelo Morro da Grota.

8h12m: Policiais controlam o Areal, considerado estratégico pela polícia.

8h22m: Os dois primeiros presos são levados pelo Exército da Favela da Grota

8h25m: O chefe da Polícia Civil, Allan Turnowiski, confirma que o Areal foi tomado

8h44m: Agentes da Core chegam a Estrada do Primeiras com as primeiras apreensões: drogas, material de endolação e um facão.

8h56m: O subchefe da Polícia Civil,Rodrigo Oliveira, diz que o Alemão não será devolvido aos bandidos.

9h39m: Recomeçam os tiroteios e chegam os primeiros feridos ao Getúlio Vargas

9h49m: A polícia chega ao ponto mais alto do Alemão.

10h01m: Policiais da Core prendem quatro suspeitos no Morro da Grota. Em uma casa onde o traficante Alexander Mendes da Silva, o Polegar, teria se refugiado, a polícia apreende três fuzis, drogas e 15 coletes do Exército.

10h14m: A Cruz Vermelha oferece 200 voluntários socorristas para ajudar na emergência de hospitais.

10h20m: O governador Sérgio Cabral chegou ao Palácio Guanabara para acompanhar a operação, em contato com o Secretário de Segurança, José Mariano Beltrame.

10h31m: Sai o primeiro balanço da operação: foram apreendidos quatro toneladas de maconha, 16 fuzis, uma metralhadora .30, granada e munição em grande quantidade.

10h45m: Agentes da Polinter localizam a casa de Gideones de Lima Santos, o Pezão, um dos chefes do tráfico do Morro do Alemão.

10h34m: A favelas está “preocupantemente tranquila”, diz o delegado Marcos Vinícius Braga, do comando de crise da Secretaria de Segurança.

11h10m: O secretário estadual de Saúde e Defesa Civil, Sérgio Cortes, e o comandante geral do Corpo de Bombeiros, coronel Pedro Machado, fazem inspeção no Getúlio Vargas.

11h13m: O prefeito Eduardo Paes anuncia a elaboração de um plano de ação com serviços da prefeitura para a área, escolas, creches e clínicas da família.

11h29m: A Polícia prende um dos chefes do tráfico no Alemão, identificado como Pará.

11h32m: A brigada de paraquedistas entra na favela da Grota para consolidar as posições na parte mais alta da comunidade.

11h53m: Chega ao Hospital Getúlio Vagas um ferido, apontado como traficante que trocou tiros com policiais.

11h54m: A coordenadoria do Disque-Denúncia recebe ligações informando que trafi-
cantes tentariam fugir do Alemão por tubulações de esgoto, instaladas pelas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

12h: Começa a troca das equipes que ocupam o Complexo do Alemão

12h25m: Por ordem da Secretaria estadual de Saúde, a emergência do Getúlio Vargas, que volta a atender todos os pacientes, e não apenas feridos nos confrontos.

12h50m: A polícia divulga novo balanço das operações:88 pessoas foram presas em todo o estado, 130 foram detidas e 36 morreram. Cinco populares e quatro PMs também ficaram feridos. Foram apreendidas 104 armas e 16 granadas. Onze carros foram recuperados e 101 veículos foram incendiados.

13h: PM prende, na favela da Chatuba, o traficante Vitor Roberto da Silva, o Vitinho, que fugiu do Alemão vestido de mata-mosquito.

13h07m: O padre Omar Raposo,reitor do santuário do Cristo Redentor, celebra uma missa pela paz no Rio de Janeiro, acompanhada por cerca de 200 pessoas. Durante a missa, o padre recebe, pelo celular, a informação de que o Papa Bento XVI havia enviado uma carta ao arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta, desejando sucesso às autoridades e pedindo que a população tenha fé.

13h37m: Policiais hasteiam duas bandeiras no topo do Complexo do Alemão: uma da Polícia Civil e outra do Brasil.

14h: Policiais localizam, no Morro da Fazendinha, uma vila com três quartos.Segundo moradores, o local servia para hospedar traficantes de passagem pela comunidade. O segundo cômodo era um depósito de armas. No local foram encontradas duas submetralhadoras, cintos para guardar munição e coletes à prova de balas. O terceiro cômodo era um laboratório para o refino de drogas. Nos três cômodos também foram encontrados vários animais silvestres, como tucanos e papagaios.

14h03m: O governador Sérgio Cabral diz que a ocupação do Complexo do Alemão "é um passo decisivo para política de segurança pública" e que este é um trabalho de médio e longo prazo, mas que se trata de um novo momento na cidade.

14h17m: A bandeira do Estado do Rio é hasteada no topo do Alemão

14h20m: O segundo suspeito baleado chega ao Getúlio Vargas.

14h41m: A Polícia Rodoviária Federal começa a realizar revistas em ônibus, vans, caminhões e taxis nas rodovias Presidente Dutra, Washignton Luiz e BR-101, com o objetivo de evitar a fuga de bandidos que tenham escapado do Complexo do Alemão. Na Ponte Rio-Niterói, um homem de 34 anos é preso em uma van.

15h: A polícia prende, na localidade conhecida como Coqueiro, na parte alta
do Complexo do Alemão, o traficante foragido Eliseu Felício de Souza, conhecido como Zeu, integrante da quadrilha de Elias Maluco e condenado pela morte do jornalista da TV Globo Tim Lopes.

15h11m: Um morador do Complexo do Alemão leva o filho adolescente para se entre-
gar à Polícia. “Um dia tem que pagar. Se não fosse agora, seria amanhã ou depois”, diz.

15h50m: O prefeito Eduardo Paes diz, em entrevista por telefone à Globonews, que o Rio terá carnaval e réveillon da liberdade.

16h15m: O comando Forças Armadas informa que a presença do Exército, Marinha e Aeronáutica na ocupação do Complexo do Alemão é por prazo indeterminado.

GUERRA DO RIO - A maior das facções do Rio é humilhada com ocupação


A maior das facções do Rio é humilhada com ocupação do Complexo do Alemão - 29/11/2010 às 00h18m; O Globo

RIO - A imagem do traficante Elizeu Felício de Souza, conhecido pelo apelido de "Zeu" , correu o mundo ontem e ilustrou de forma incontestável a humilhante situação na qual se encontram, agora, alguns dos criminosos mais perigosos do país. A queda da fortaleza do tráfico no Conjunto de Favelas do Alemão, na Zona Norte do Rio, foi emblematicamente simbolizada pela figura do criminoso: sujo, sem camisa e com a bermuda molhada pela própria urina "Zeu" bem que poderia dizer: "Perdi".

Um dos homens condenados pela morte do jornalista Tim Lopes, da TV Globo, Zeu foi preso na localidade conhecida como Coqueiral, no interior do Complexo . Presos na mega-operação policial naquela localidade , "Zeu" e outras dezenas de membros da facção criminosa que dominava o comércio de drogas na região têm em comum, além do passado violento, um olhar desolado. Segundo especialistas em segurança, além da vergonha pela derrota frente às forças policiais essas imagens demonstram o desespero de quem perdeu o poder de articulação. Uma derrota marcada pela forma como fugiram, com medo de morrer.



- Os criminosos dessa facção perderam a grande praça de comércio que tinham na cidade. O Alemão era ainda o local de segurança deles quando ameaçados- analisou o ex-secretário Nacional de Segurança, José Vicente da Silva.

Coronel da reserva da Polícia Militar, José Vicente lembra que a facção coordenava todas as atividades da Vila Cruzeiro e das 13 favelas do Complexo do Alemão. Agora, outros grupos criminosos receberam o recado de que não há como lutar contra essa nova realidade.

- Essa facção já estava com problemas de caixa. Perde agora toneladas de cocaína, armas, munição e soldados e ainda é envergonhada dessa forma. É um duro golpe para eles. A cobertura da mídia mostra que a sociedade e as instituições de segurança estão unidas contra a onda de violência que banhou o Rio nos últimos anos, graças à disputa de território entre as três facções. Agora, eles possivelmente vão diminuir esses confrontos. A guerra em nada ajuda o comércio de drogas.

Para o especialista em Segurança e coronel PM Milton Correa da Costa, graças às imagens transmitidas pelos veículos de comunicação, a facção pode estar com os dias contados no estado do Rio.

- A partir de agora a facção está esfacelada, sem comando; mais do que isso, ela está enfraquecida moralmente, além do fator econômico. As imagens mostram derrotados. Se as forças de Segurança permanecerem obstinadas, há a possibilidade de um esfacelamento total dessa facção, já que esse grupo terá perdido um terreno que jamais será recuperado.

Costa acredita ainda que o episódio que culminou com a tomada do Alemão representa o maior tiro no poder paralelo na história do Rio.

- Até no âmbito judiciário não há precedentes. O cordão umbilical das lideranças com os elementos de execução do narcoterrorismo foi cortado- celebra o coronel da PM.

A antropóloga Alba Zaluar afirma que as perdas para a facção já vinham sendo significativas, principalmente na Zona Oeste da cidade, graças às milícias. Agora, esse pode ser um golpe derradeiro.

- A fisionomia deles retrata homens derrotados, humilhados, perdedores. É toda a expressão corporal de quem perdeu tudo. Esses rituais de humilhação estão sendo vistos no mundo inteiro e a mensagem que passam às outras quadrilhas é de alerta: não brinquem por que nós somos hoje o que vocês serão amanhã- analisa Zaluar.

Já o sociólogo Michel Misse é mais contido em sua análise das operações no Alemão:

- Nós já sabíamos que eles eram meninos com armas nas mãos. Quanto ao reflexo dessa investida do poder constituído, é cedo para afirmar.
Organização nascida do convívio com presos políticos

O Comando Vermelho (CV), uma das organizações criminosas mais temidas do Brasil, tem sua origem na união de presos comuns e presos políticos que formavam a Falange Vermelha. Esse contato ocorreu inicialmente em 1979, quando ambos os grupos estavam encarcerados no presídio Cândido Mendes, na Ilha Grande. O grupo recém-formado logo rivalizou com outra facção mais violenta, a Falange Jacaré, acusada de estuprar, roubar e intimidar presos.

Na década de 1980, já organizada como facção criminosa, a Falange Vermelha foi batizada de Comando Vermelho. Os primeiros presos foragidos da Ilha Grande começaram a pôr em prática todos os ensinamentos que haviam adquirido ao longo dos anos de convivência com os presos políticos, organizando e praticando assaltos a instituições bancárias, empresas e joalherias. Durante toda a década de 1990, o Comando Vermelho foi uma das organizações criminosas mais poderosas do Rio de Janeiro, mas, atualmente, a maioria de seus líderes está presa ou morta, com a cúpula da organização desorganizada.

O Comando Vermelho ainda controla partes da cidade e ainda é comum encontrar ruas pichadas com as letras "CV" em muitas favelas. Os principais grupos rivais do Comando Vermelho são o Terceiro Comando (TC) e os Amigos dos Amigos (ADA). Entre os integrantes da facção que se tornaram notórios estão Fernandinho Beira-Mar, Marcinho VP e Elias Maluco.

Uma das primeiras medidas do Comando Vermelho foi a instituição do "caixa comum" da organização, alimentado pelos proventos arrecadados pelas atividades criminosas daqueles que estavam em liberdade. O dinheiro arrecadado dessa forma serviria não só para financiar novas tentativas de fuga dos membros presos da organização, mas igualmente para amenizar as duras condições de vida nos cárceres, reforçando a autoridade e o respeito do Comando Vermelho entre os detentos.

APLAUSOS PARA OS SOLDADOS


APLAUSOS PARA OS SOLDADOS - Editorial Zero Hora, 29/11/2010

Os brasileiros passaram o fim de semana com as atenções voltadas para o Rio de Janeiro, palco de um combate sem precedentes entre o poder público legitimamente constituído e a criminalidade que há décadas aterroriza o país. O que todos estamos vendo nas favelas cariocas, nos últimos dias, não é apenas uma luta isolada entre a polícia fluminense e traficantes de droga que haviam se apossado de algumas áreas da Cidade Maravilhosa. Vemos, isto sim, a esperada reação da sociedade brasileira, representada pelas forças policiais e pelas Forças Armadas, contra o estado de insegurança que atinge todas as áreas da nação.

Por isso, está sendo celebrada com tanto entusiasmo a participação de tropas e equipamentos da Marinha e do Exército na operação de cerco aos traficantes. É com muito orgulho e esperança que o povo brasileiro vê os militares saindo dos quartéis para protegê-lo, derrubando também restrições históricas à participação das Forças Armadas no controle da violência urbana.

Nosso inimigo atual não é externo. Nenhum país ameaça a segurança nacional. Mas os brasileiros vivem ameaçados por um inimigo que não tem bandeira, o tráfico de drogas, responsável por expressiva parcela da violência e também pela importação ilegal de armas. Cabe, portanto, a presença ostensiva das Forças Armadas no enfrentamento dessa ameaça.

E a presença de militares na operação fluminense está mais do que respaldada pela Constituição. De acordo com a Carta vigente, as Forças Armadas devem atuar em quatro frentes: na defesa da pátria, na garantia dos poderes constitucionais, na garantia da lei e da ordem e em operações humanitárias e de cooperação internacional. Ainda que a defesa da lei e da ordem seja competência primária das forças de segurança pública, o caráter excepcional do combate ao tráfico justifica plenamente a participação de tropas, equipamentos e armas militares. No caso da situação do Rio de Janeiro, essa presença das Forças Armadas foi acionada dentro de absoluto respeito às normas legais, respaldado no que prescreve o art. 144 da Constituição. Aliás, são essas mesmas normas que facultam a qualquer dos três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – convocar tropas do Exército, da Marinha ou da Aeronáutica para enfrentar situações como a do Rio, onde havia um histórico desafio à lei e à ordem e onde, pelo resultado do tráfico de drogas e do crime organizado, a bandidagem havia estruturado um poder paralelo.

Por isso, o Brasil aplaude seus soldados e aplaude a decisão de fazer com que as Forças Armadas, com a autoridade que têm e o poder de sua organização, cumprissem seu papel institucional. Ao participar ativamente da retomada de territórios dominados pelo tráfico de drogas no Rio de Janeiro, as Forças Armadas ajudam a devolver aos brasileiros a esperança de paz no dia a dia de suas vidas.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA
- Devemos sim aplaudir os soldados. Porém, há de se salientar que as forças armadas agiram sem respaldo da lei, mas observaram os limites e tiveram a sorte de não entrarem numa chacina desencadeada pela reação das bandidagem. Se isto ocorresse estariam em maus lençóis. Por isto, devemos redobrar nossos aplausos para a determinação do Presidente Lula que autorizou e do Ministério da defesa e dos comandantes da Marinha, Exército e Aeronautica de passarem por cima da ausência da lei para conflitos como a guerra do Rio e integrarem os esforços para vencer o crime. Esta decisão garantiu as forças policiais a logística necessária para cercar, sufocar, prender a bandidagem e apreender uma grande quantidade de armas, drogas e motocicletas, e ainda resgatar a confiança dos moradores.

Devemos também exigir do Congresso Nacional, que esteve ausente neste episódio, a criação de uma lei para legalizar a participação das Forças Armadas contra conflitos desta natureza com medidas que possam salvaguardar os moradores. No Haiti, elas agiam respaldas por leis da ONU. Aqui, viu-se a dificuldade das forças de segurança em fazer as pessoas sairem das ruas, simplesmente por não haver respaldo para um toque de recolher.