
ALBERTO AFONSO CAMARGO
Eu
estou lendo atualmente "Hobbes Leviathan - Uma Visão Teológica", de E.
B. F Midgley. É uma leitura interessante a partir da metade do livro
quando o autor aborda de forma mais objetiva o "contrato social"
conforme propõe Hobbes. Este tem a visão
de que o homem natural não abandona este estado de luta pela
sobrevivência, onde vivem em constante guerra e, por isto, para viver em
sociedade precisa de um soberano que dita a sua conduta, daí a idéia de
contrato social.
Como o homem não evolui deste estado, este soberano
impõe-lhe regras, com as quais ele concorda e se compromete cumprir. Não
perde, no entanto, o seu instinto de conservação e está sempre prestes,
a qualquer momento, agir conforme seu estado de natureza. Hobbes deu o
absolutismo, mas, tembém, deu o republicanismo não absolutista, que
pressupõe que o homem precisa de regras impostas, o oposto ao
liberalismo, para não agir conforme seu estado natural, do qual não
evolui.
Ao analisar as virtudes conforme Hobbes, em dado momento
escreve Midgley: "Com a 'justiça' e a 'magnanimidade', imagina Hobbes
que a 'política e a ciência' assegurarão um crescente domínio sobre o
originalmente e inclusive hostil meio ambiente humano e não humano." Ou
seja, para ele a hostilidade é natural entre os homens desde a sua
origem e mantêm-se mesmo quando aprende a viver em sociedade, só
contendo as hostilidades em virtude das regras que lhe são impostas,
portanto, sempre que necessário, abre mão delas e age conforme seu
estado de natureza.
Quem se opõe a esta percepção de Hobbes é John Locke, para quem o homem evolui do estado de natureza e passa a viver em sociedade sem a necessidade de tanta fiscalização e regras, as quais ele assimila e cumpre porque compreende esta necessidade para que a convivência seja respeitosa.
Os acontecimentos em geral, conforme se comportam as pessoas no mundo, não nos permitem, pelo menos a mim, concluir se quem está com a razão a respeito do homem é Hobbes ou Locke. Alguns exemplos que temos visto, no entanto, ainda que Locke possa ter razão, nos inclinam com força para acreditar que Hobbes não está de to errado.
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